quarta-feira, 24 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 3)


Dia 3 (2 Junho)

O dia de ontem foi estafante, com tanta praia e correria, mas isso não nos impediu de acordar cedo. Tomámos o pequeno-almoço, carregamos a Timberlina e fizémos uma corrida até à recepção.



Ganharia o Gugas que foi a correr pois fez lá uns atalhos pelos alvéolos da malta toda, mas viu o parque infantil e...é impressionante como a mente de uma criança muda de rumo e interesse ehehe.

Depois de pagar as 2 noites (como ficámos apenas uma noite já na época alta tivémos que pagar 2!!) seguimos em direcção à terra das 3 mentiras: Vila Nova de Milfontes (não é Vila, nem Nova nem tem assim tanta fonte!).

O tempo estava cinzento. Tivémos mesmo de vestir uma sweat. Parámos num café para fazermos o costumeiro "refueling" do meio da manhã. Tentei fazer um registo vídeo mas as poucas horas de sono já afectavam o Gugas que estava com uma alta birra.

Enquanto esperava pelo café ajustei o meu novo guiador de touring, o DUMBO da Modolo. Muito porreiro: em segundos fiquei com os punhos mais altos e próximos o que me permite pedalar mais direito, enquanto fiquei com um suporte mais plano para o mapa o que se traduziu numa melhor leitura do mesmo, 5 estrelas.


Tive que ter uma conversa séria com o Gugas e pô-lo na cadeirinha para ele pensar na birra que estava a fazer. Remédio santo: adormeceu mal passámos a ponte sobre o rio Mira, e assim foi até Cavaleiro, a última localidade antes do Cabo Sardão.

O caminho até aqui foi simpático, pois desviei-me da Nacional e fui por estradas secundárias, com pior piso, mas sem trânsito e muito mais silêncio e "cheiros". É uma das coisas que mais aprecio e me marca nas viagens, que é a percepção olfactiva. Lembro-me das viagens em todo-o-terreno que tenho feito em que o cheiro do Anis, do Poejo, do Feno, etc. marcavam o caminho. Por aqui o cheiro era intenso e a "relva". Uma empresa de venda de relva em rolo tem aqui as suas plantações: grandes planícies verdes que exalavam um cheiro fresco muito agradável.

Estava a matutar sobre o percurso que iria efectuar, o local onde iríamos almoçar, a praia que íriamos visitar quando oiço o Gugas a perguntar-me o que é que o Falcão que nos sobrevoava andava à procura!

- "Olha quem cá está" - exclamei. Encetámos uma conversa sobre o falcão e as suas presas e toda a cadeia alimentar associada, até que perguntei ao Gustavo se já estava com vontade de almoçar.

- "Já tenho alguma fominha" - respondeu-me.

Não era tarde nem cedo, estávamos em Cavaleiro, mesmo em frente a uma pequena mercearia e fomos lá comprar algo fresco para beber e acompanhar as sandochas que tínhamos feitas. O Gugas lá me cravou um ovo de chocolate com "Gormitis" e seguimos para o Cabo Sardão para montarmos picnic.

Fizémo-lo mesmo perto da falésia e em cima da Xtracycle. Épico. O Snap-deck serviu de mesa para as sandochas, as batatas, a coca-cola e o ovo do Gormiti. Um saco a servir de recipiente para o lixo preso na traseira da bicla e cadeira de campismo montada: querem melhor??


O Gugas ficou impressionado com a falésia e diz que uma rocha lá no fundo parecia mesmo um dinossauro a tomar banho. Nenhuma foto que tirei do cabo sardão consegue fazer jus à imponência do sítio por isso saquei esta da net.



Aqui o calor apertava e decidimos seguir caminho. A dúvida era se seguíamos em direcção à Zambujeira do mar ou se seguíamos até Odeceixe. A Zambujeira era já ali...então seguímos para Odeceixe.

Pedalei até quase S. Teotónio onde apanhei uma bela subida o que se traduziu numa EXCELENTE descida até S. Miguel. O Gugas reclamava quando andava devagar e por isso não gostava de descidas (o LORD!), mas nas descidas curtia à brava, aliás eu tinha que o refrear pois ele abria os braços, berrava IUUUPII e punha-se a balançar na cadeira pois queria fazer "SURF DE BIXUCLETA".

Eu até dizia-vos a velocidade a que íamos...se tivesse conta-Kms.

O parque de S. Miguel era um bom local de pernoita pois acabamos o dia ainda no Alentejo, a ribeira de Odeceixe que está a 1Km a descer faz fronteira com o Algarve, onde entraremos amanhã logo de manhã!

O Gugas reconheceu o parque mal lá chegámos e ficou radiante com a possibilidade de irmos para a piscina (também não me estava a apetecer ir a pedalar até à praia de Odeceixe e voltar àquela hora). As meninas da recepção engraçaram bastante com o Gugas e este deu-lhes troco (a antítese da birra matinal...o João Pestana é lixado). Lá lhes cravou uma pulseira verde que ainda a mantém (está quase branca).



Montámos campo e fomos para a piscina. Fez lá uns amigos alentejanitos com quem se fartou de brincar (nas escadinhas pois tem bastante respeito à água).



Tomámos um banhinho, fizémos o jantar e enquanto fui lavar a loiça o Gugas estava a espreitar uns meninos que jogavam à bola no outro extremo do parque. Perguntou-me se podia ir brincar com esses meninos - "Claro que podes, mas olha que se calhar eles não falam Português" - repliquei, pois tinham aspecto de estrangeiros. O Gugas não se importou e foi brincar com eles. Esqueci-me de dizer, mas quando chegámos a Melides na primeira noite o Gugas perguntou se as pessoas dali falavam a nossa língua! eheh. O Gugas já viajou para bastantes sítios, mas provavelmente de bicicleta tem uma percepção diferente da deslocação e lhe dê uma sensação de maior distância percorrida! Lá estava ele todo contente a brincar com os meninos numa algazarra de todo o tamanho. A capacidade dos míudos comunicarem é brutal - pensava eu, mas não os putos eram filhos de uma Portuguesa e de um dinamarquês. Um casal muito simpático que viviam na Suíça e como tinham casa em Portugal vinham fazer férias neste parque todos os anos. Tinham uns kayaks e exploravam a barragem de Santa Clara e a ribeira de Odeceixe com os filhos. Tinham-nos visto a descer para o parque em modo "surfing" e como sabemos a conversa é como as cerejas. É das pessoas com mais informação na net sobre a eco-via do Sotavento Algarvio. Ficou de me contactar no futuro para trocarmos mais ideias. Era "gajo" de pegar na bicla e nos filhos e toca a viajar!! eheh

A custo lá consegui levar o Gugas para a tenda e umas boas histórias depois estava a dormir.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (Dia 2)

Dia 2 (1 de Junho)



Acordámos cedinho e preparámos o pequeno-almoço. O Gugas comeu o nestum a ver a "ilha das cores" na TV - um pequeno luxo que iria abdicar nos dias seguintes. Aproveitei a calmia para carregar a bicla, desta vez com a "supervisão" de uma senhora idosa que habitava ao lado. Que confusão que aquilo lhe estava a fazer, só lhe dava para rir! eheheh



Fomos directos à praia seguindo o cheiro à maresia. Estava vazia, mas dois ciclistas veraneantes tinham acabado de chegar: não éramos os únicos...bebi um café e seguimos o caminho.



Voltámos a "pegar" a nacional até à Vila Nova de Sto André, entrando no Parque Natural da Lagoa de Sto André. Na vila parámos num mini-mercado e comprámos mantimentos para o dia. Seguimos caminho pela via rápida que vai directo a Sines. Evitámos esta localidade e fomos directos à central eléctrica de S. Torpes.

Entrávamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Parámos na primeira praia, pois a promessa da celebração do dia da criança tinha deixado o Gugas em pulgas. O vento era forte, o ideal para a prenda que lhe ofereci: um papagaio. Lançámos o papagaio aproveitando as condições excelentes. Brincámos na areia e almoçámos ali mesmo.




A vontade de seguir para o Gugas era nula, mas eu sabia que o que nos esperava era bem melhor por isso lá o consegui por na cadeirinha e seguimos em direcção a Porto Covo. Pelo caminho encontrámos avestruzes a conviver com gado bovino, o que interessou a mente do Gugas. Com a aproximação da bicicleta as aves corriam desalmadamente, assustadas provavelmente. Seguimos até a um dos parques de campismo da vila e montámos campo. Como a recepção estava fechada havia um casal de Holandeses com uma auto-caravana um pouco à nora! Como eu tinha vestida uma camisola da selecção laranja e provavelmente por estar de bicla perguntou-me em Holandês o que pareceu ser: "É holandês?". Disse-lhe que não mas que podiamos falar em Inglês. Lá lhe expliquei que a recepção estaria fechada até às 15h. Queria fazer o check-out e custava-lhe ter que esperar quase 2 horas para o fazer!!

Depois do campo montado seguimos para o centro da vila. Fomos comer um gelado, comprar àgua que se tinha acabado e fruta pois não gostámos da que vimos em VNSAndré. Daí para uma das praias na falésia foi um saltinho.



Passámos a tarde toda a banhos. O tempo estava espectacular e a àgua acompanhava.




Voltámos para campo a tempo de tomar um banho e fazer o jantar: Massa chinesa (é leve, e coze em 3 minutos) com cogumelos, queijo e fiambre, salada de milho e tomate e fruta. A fome era muita pois desapareceu tudo num instante. Fomos passear a seguir ao jantar ao centro da vila. Comemos uns waffers, eu fiquei a ler um pouco enquanto que o Gugas corria a brincar à apanhada com uns amiguinhos que fez na altura.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 1)

Dia 1 - (31 Maio 2009)


Partimos com a bicicleta e a tralha toda na Pickup do meu sogro até Setúbal. A ideia era começar a viagem em Tróia: evitaríamos o stress da travessia do Tejo (torniquetes apertados) somado a um percurso muito batido e juntávamos um almoço de choco frito com a família para a despedida.
Chegados a Setúbal, descarreguei o material e carreguei-o na bicla. Descobri que tinha testado a cadeira do puto (que era emprestada) com alguma coisa mal montada. Desmontei e tudo e voltei a montar: estava bem melhor, já reclinava bem e não andava tanto aos saltos (que eu pensava que era normal da cadeira!!).

Montei os wide-loaders que me permitiram ter uma base mais estável para as malas, coloquei todo o material e fui dar a voltinha de teste. Estava porreira, com o peso bem repartido e a cadeira bem montada...espectáculo.



Levava do lado direito uma mala com a roupa, toalhas e chinelos dos 2, mais a tenda (optei pela tenda 2 seconds da decathlon), do lado direito a outra mala com os matelás e os sacos-cama, o material de cozinha e gadgets, uma cadeira dobrável e uma garrafa de 1,5 l de H2O. No Snap-deck ia um saco térmico com a comida para alguns jantares e para alguns pequenos-almoços.




Fomos comer o choco-frito, brindámos aos aventureiros e dirigimo-nos ao barco. Pagámos o bilhete e fomos arrumar a bicla a um canto. A família surpreendeu-nos e foi também connosco no barco: Afinal a avó Alice ainda não conhecia Tróia.




O cais de largada de passageiros na restinga estava "inundado" de pessoal. Eram carros por todos os lados, ilegalmente estacionados nos passeios o que obrigava a que ordas de veraneantes devidamenteequipados para passarem o dia inteiro no areal tivessem que circular na estrada que por si já é estreita. Foi uma aventura fazer os primeiros 300 metros da aventura! Passada essa distância há um terminal de autocarros que leva toda a gente gratuitamente parao centro de Tróia, o que me faz pensar o que fariam ali aqueles carros estacionados???



Mais despedidas, desta vez no terminal das camionetas e entrámos na estrada que acompanha a língua de areia que é Tróia. Seguimos para sul e apanhámos um tráfego típico de domingo solarengo. Passados pouco mais de 4 Kms tivémos de para pois a posição da cadeiraagora bem montada não era a ideal...os nossos pés chocavam ao pedalar. Numa berma mais larga alterámos a configuração da dita e estávamos prontos a continuar. Ao arrancar dei um encontrão sem querer ao conta-kilometros que saltou do sítio e foi ter ao meio da estrada.Um carro que passava na altura fez o favor de o esmagar, estragando as estatísticas de velocidade e distâncias deste relato ehehe.

Seguímos para a frente que atrás vem gente e parámos na Comporta a admirar as cegonhas. O Gugas adora animais e questionava-me sobre tudo: as cegonhas, os ninhos, os barulhos que faziam com os bicos e em especial as cobras mortas que jaziam no asfalto: "Coitadinhas das cobras, elas são apenas reptéis!" - Dizia-me, ao mesmotempo que dizia que os carros esmagavam tudo: "os repteis, os conta-kilometros"...que malandros ;o).

Desviámos para Pinheiro da Cruz, onde fomos ultrapassados por uma coluna de militares que, seguramente, estariam a fazer exercícios na zona. No meio de jogos verbais que faziamos e das milhentas perguntas de quando é que chegávamos ao acampamento, o Gugas diz-me que quando chegasse ia logo fazer xixi pois estava aflito!!! - "Na, na, fazes já, que ainda falta algum tempo!"- "Ai, ai que estou aflitinho."- "Aguenta filho, faz força".- "ups.."- "ups??"
O Gugas encharcou os calções todos. Desmanchámo-nos a rir! Ao menos não o fez na cadeirinha! Despiu-se e mudámos de roupa e "ala que se faz tarde".

Passámos o desvio para o camping da Galé, mas como era cedo e tinhamos partido tão tarde pensei em adiantar um pouco o caminho e acampar mais à frente. Já mesmo a chegar a Melides encontrámos um chibo preso por uma pata a tentar desesperadamente comer as folhas de uma figueira. É obvio que corremos ao seu auxílio. Foi um momento excelente com o Gugas a chamá-lo inocentemente de "Cabra grande acabado em ão" enquanto lhe dava as folhas da Figueira. A meio, o chibo ainda ameaçou uma bela marrada, mas foi só "garganta".

Isto fez-nos atrasar um pouco e uma neblina forte fez-me desviar para a praia de Melides. O segurança do Camping não nos deixou montar a tenda pois não tinhamos um cartão que nos atríbuia a condição de "campista"!! :oP

Ainda fomos ver se haviam alguns caravanistas perto da praia para montarmos tenda perto deles, mas não. Com tanta oferta de quartos para arrendar, ficámos numa casita simpática de um casal de velhotes igualmente simpáticos. Para delírio do Gugas o senhor tinha muitos animais, dos quais uma gata que tinha parido há algumas horas 3 gatinhos bébés.

Ainda fomos apanhar uma galinha a simular que era para o jantar...haviam de ver a cara do Gugas quando a apanhámos de facto!! NEM PENSAR...solta já a galinha! ehehehA custo levei-o para dentro do quarto onde tomámos um merecido banho e fomos cozinhar o jantar: Massa com atum e salada de tomate. De sobremesa comemos bolo da avó Alice e decidimos ir à "chinchada". Fomos ao quintal dos senhores apanhar umas laranjas espectulares, sumarentas e docinhas. Na cabecinha do Gugas havia um alto conflito: a brincadeira é gira e apetece-me uma laranja...mas "porque é que estamos a tirar isto na surrapa??" eheh Agora perguntem-lhe lá quais as laranjas mais apetitosas?? São as da chinchada!

Fomos passear depois de jantar. Encontrámos um baloiço preso a uma àrvore...melhor que a playstation! Ainda fomos beber uma bica ao café do parque onde fizémos o "registo" escrito e vídeo do primeiro dia.Voltámos para a casita, xixi e cama.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão com o Gugas

Mais uma viagem feita de Timberlina. Desta vez fiz a costa Alentejana e Vicentina, percurso já sobejamente conhecido quer de veículo motorizado quer de bicicleta, mas com um cheirinho extra de desafio: levei o Gugas com 4 anos e meio comigo.
Foi uma semanita de férias em total autonomia que correu muito bem.
O relato está para vir, mas podem já ficar com o percurso:



Visualizar Touring: Setúbal - Olhão com Gugas em um mapa maior

terça-feira, 7 de abril de 2009

L-a-V -> Santarém -> Alviela -> Entroncamento


Fui dar uma volta ligeira com a Xtra. Fui com mais 6 amigos até Santarém onde passámos a noite e depois percorremos vários percursos fora de estrada até à nascente do Alviela. Depois segui sozinho até ao Entroncamento enquanto o resto subiu o "Minde Epic" até Fátima.

Como foi um percurso "altamente gastronómico" e ficámos em pensão não deu para testar a xtra em "full autonomy", mas a X fez toda o percurso na boa, tendo apenas a apontar o extremo ressalto que a corrente (pelo tamanho que tem) fazia em TT. De resto portou-se às mil maravilhas e se tivéssemos carregados desconfio de que a X dava "bigodes" às restantes....



Ainda deu para agarrar uma máquina ao snapdeck e filmar "às arrecuas"...quando tiverem publicadas mais fotos e filmes eu mostro o link!

Entretanto fiquem com estas:




Um sofá em pleno campo??

Como arrumar uma X no átrio esconço de uma pensão??

Em pé claro!



E utilizo as próprias cintas para a prender no comboio!

Caminhos do Tejo 2ª edição



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

De Lisboa a Tomar pelo caminho do Tejo...Ginga. Percurso


Houve actividade no fim-de-semana....


237 Kms de puro "touring"



Relato:


Caminho do Tejo - dia 1



O despertador tocou cedo. Calei-o e virei-me. Acabei por acordar bem mais tarde do que planeei. Saí de casa às 7h30, com a bicicleta carregada em direcção à casa do IVO para ir buscar emprestada uma bolsa para o guiador.Lá estava o Ivo a dormir perto da janela e lá fui eu acordá-lo. Desgraçado! Emprestou-me a dita bolsa que eu prendi na altura ao guiador. Despedi-me dele e fiz-me à estrada às 8h15m.Lá ia em direcção a Algés para fazer o caminho que faço diariamente até ao Cais do Sodré e depois subir até à EXPO.

Que seca, sempre o mesmo caminho pensei. Pera lá...estou de viagem, estou livre, vou fazer outro caminho. Ainda não tinha começado a descer, e foi então que virei a agulha e fiz-me em direcção a Carnaxide, Portela de Carnaxide, Alfragide, Parque de Campismo, ciclovia da radial de Benfica. Aqui ao ver a carrada de carrosque circulavam na 2ª circular deu-me um arrepio na espinha por pensar que estava completamente fora daquele reboliço. Não tinha horários, destino certo, estava mesmo livre!

Daqui segui até à Serafina, Torres Gémeas, Mesquita de Lisboa, Praça de Espanha, Av. de Berna, Av. da Republica, Av. da Igreja. Esta parte de Lisboa sempre me atraíu. Passei por trânsito, poluição, confusão e naquele bairro conseguimos estar mais calmos, envoltos no silêncio possível, ainda dá para ouvir uns passarinhos,mas os inevitáveis carros estacionados estão lá! Passei pelo mercado e a vista para uma esplanada deu-me vontade de contemplar aquele oásis urbano, mas o resto da minha mente estava no caminho do Tejo e decidi adiar aquele desejo. Continuei a jornada e peguei a Av. do Brasil até ao relógio e daí em direcção à (antiga) Batista Russo.Na primeira rotunda, uma senhora vem disparada do centro da rotunda e sem calcular muito bem o meu andamento, passa-me uma razia que, se não travo a fundo levava-me de boleia no capot até ao seu destino. Foi outro arrepio na espinha, mas este acompanhado por suores frios! Segui quase sem pedalar até ao extremo sul da àrea de intervenção da EXPO. Segui pelo interior da mesma até à Pala do antigo pavilhão de Portugal. Aqui supostamente começa o caminho do Tejo, parte integrante dos caminhos peregrinos até Fátima e Santiago de Compostela.



Fui sempre pela costa até à Foz do Trancão onde encontrei o primeiro marco do caminho. Daqui segui ao longo da margem direita do rio até à ponte que o atravessa em direcção à Bobadela. Ao sair da ponte reparo que o caminho sai da estrada.



Fiquei contente, pois não me estava a apetecer subir pela Bobadela acima. O caminho passa por um parque de estacionamento, um estradão em tout-venant e depois trilho.Passei por baixo do viaduto da A1 e fui tranquilamente seguindo o leito do Trancão passando por pequenas explorações agrícolas e trilhos de BTT bem porreiros. Cruzei-me com uns quantos BTTistas que se divertiam e me desejavam boa viagem. O caminho foi sempre assim até uma pequena povoação já perto de Vialonga. Aqui não vi nenhum marco com azulejos ou as setas amarelas que marcam o caminho e decidi ir em direcção à estrada. Aqui segui para norte e no primeiro semáforo partiu-se um raio! Um já se tinha partido faz 2 dias e este era exactamente do lado oposto. Fui até Alverca com a roda toda empenada e pelo caminho errado. Devia ter virado para a Póvoa de Santa Iria e daí até Alverca, acabei por passar pela Sagres, pela entrada para a AE e por um viaduto até à EN10 e Alverca. Sem crise.

Parei na "Moto-avenida de Alverca", após conselhos de locais. Uma loja simpática onde viciados e simpatizantes da bicicleta se reuniam em amena cavaqueira com o sr.....(raisparta a minha memória para nomes) que ia fazendo uma revisão a uma "magrela". Disse-lhe que estava de viagem (é um estado de espírito) e que precisava que me safasse. Disse que não vinha na melhor altura, mas que safava sempre quem estava de viagem! 5 estrelas. A conversa "embicou" nesse sentido e fiquei a saber que um Alverquense tinha acabado de chegar do "Cape Epic" e a sua t-shirt estava lá estampada. Pediu-me 1€ pela reparação, ao qual lhe respondi com 2€, sendo que tinha que ser usado num café a pelo menos 100kms dali e num passeio de bicla ;o).


Logo ao lado estavam 2 velhotes a depenar uns pombos, "para o petisco", e a seguir bebi um cafézinho numa pastelaria simpática. Aquela rua de Alverca ficou no meu coração.

Segui caminho que se fazia tarde. Fui na N10 até Vila Franca de Xira. A proibição da passagem de camiões nesta cidade é uma maravilha, pois naquela estrada apertada e ladeada de instalações fabris, não são os nossos melhores amigos. Tirei uma foto à frente da Taurina, numa montagem onde o toureiro de bronze faz a lide à minha GT Timberline, a "Timberlina" ou "Lina" para os amigos. eheh

Ia seguindo as setas e sentia-me perseguido pela moça da Coca-cola que, de bikini e num cenário idílico, propunha beber esse refrigerante com gelo e limão! Consumir hasta morrir e é bem verdade. Na minha cabeça a sensação de beber uma coca-cola com limão ia ganhando forma.

Cruzei-me com outro ciclista a viajar que seguia de tronco nu e sem capacete. Acenou-me, continuando a sua cadência rápida em direcção a Lisboa, ao qual respondi. Ia-me fazendo perder um marco que perto de um Lidl nos aponta em direcção ao rio e a uma estrada secundária ao longo do caminho de ferro.

Ia num ritmo agradável. Apanhei um empedrado e virei numa ponte sobre um pequeno ribeiro poluído com a central eléctrica do Carregado à vista. Aqui já se viam campos agrícolas e montes de tomates nas bermas. Passei por uma fábrica de concentrado de tomate e o número de camiões e tractores carregados era brutal. Estavam à espera para poderem entrar e descarregar.Parei perto de um e perguntei se me podia ver uns quantos, na esperança que mos desse. Respondeu que os tomates eram para a fábrica. Ora toma. Devia estar mal disposto, mas eu não e nem liguei.

Passei pela Opel da Azambuja desmantelada que tinha visto na TV e numa rotuna virei à direita em direcção à REAL VALA. Entrei na Lezíria Ribatejana e bem se notava. O fluxo de trânsito diminuiu drasticamente e o cheiro no ar já estimulava o olfacto.Tirei uma foto em cima da ponte que cruza a real vala e deu-me para ver lá em baixo, na berma um dos marcos. Olha...vai por fora de estrada! nice! Pouco depois da ponte virei num estradão e segui as setas. Se não tivesse parado para a foto era capaz de não ver este caminho! Nos relatos que li na net não falavam nisto! Porreiro.

Fui sempre pelo meio de tomatais, milheirais, apanhei uma molha de um aspersor e passei por uma zona inundada, onde os pára-lamas fizeram o seu serviço. Fui à chinchada do tomate (ORA TOMA), e reparei que a recolha do tomate feita industrialmente arranca os pés do tomateiro sem dó nem piedade, é sempre a abrir!



Já havia muita mosca chata e uns agricultores simpáticos que quase viravam o tractor ou pickup para nos deixar passar! Fui sempre com um sorriso na face até à Valada. Pelo caminho encontrei 3 bicicletas carregadas e paradas num café! Não parei. Estranho, mas algo me impelia para a Valada, para uma banhoca no rio e não dava para parar. Lá dei à campaínha e acenei. Hei-de apanhá-los pelo caminho, pensei.

Chegado à Valada já se tinha levantado um vento desagradável e ficou muito nublado! Procurei un sítio porreiro para tomar banho. O número de moscas era insuportável, o vento roçava o irritante e as nuvens tiravam a "pica" do banho. Bolas, eram 14h00m e tinha feito 100Kms, vou ao menos beber uma coca-cola com limão em resposta ao estímulo da modelo dos outdoors. Comi uma sopa e uma talhada de melão, bebi uma coca-cola E NÃO HAVIA LIMÃO! Raios, assim a coca-cola não me soube bem. Mas soube o resto e a "jibóia" estava a subir. UI, uma sesta agora sabia mesmo bem. A mim e ao senhor "bigodudo" que estava na outra mesa que estava a marcar uma carrada de golos de cabeça ahah.

Fui para o recinto da praia fluvial para me esticar. Não consegui, as moscas estavam moles e chatas. Continuei caminho devagar, devagarinho. Cruzei-me com 4 miudos de bicla que me perguntavam se eu queria trocar de bicla. "Pelas quatro?" - perguntei. "As 4? e ficávamos apeados??" - responderam. ahaha.


Siga que estava a rolar confortável. Parei num campo cheio de fardos de palha com Santarém ao fundo. Deitei-me num fardo e estava confortável. Aqui havia menosmoscas e as que haviam eram mais toleráveis que as da Valada. Ainda arrochei uma boa meia-hora até aparecer um tractor de...adivinham? Sim, de recolha de fardos de palha.


Nos tais relatos do caminho que lera na net sabia que o caminho em Santarém estava mal marcado ou era mesmo ausente, e que não era fácil segui-lo perguntando aos locais. Comecei a subir para a cidade depois de uma passagem inferior em Omnias, quando surpresa das surpresas encontro uma seta amarela!Uma alma caridosa encarregou-se de marcar o caminho para eliminar esta grande lacuna! Fui seguindo as setas e às tantas parecia que estava a fazer um percurso turístico pela cidade e ia em direcção às portas do sol. Tinha feito aquele percurso na passagem do ano, o que me dava uma sensação de déjà vu brutal. Comecei a duvidar do real objectivo das setas e já pensava no exemplo do camiño de Santiago onde váriaslocalidades se "pelean" para que o camiño percorra as suas ruas. Ao chegar às portas das portas do sol, as setas levam-me até a um arco gótico onde uma tabuleta indicava de que estava na porta de santiago e que o que se seguia era o caminho medieval de Santiago e Salinas! Olha...peguei um caminho antigo para Compostela, será?




Sei que o caminho começou a descer abruptamente enquanto se entrava numa mata. O caminho eradigno de uma prova de downhill de BTT e estava a ser limpo por funcionários da Câmara. Fui ter quase ao mesmo sítio de onde tinha entrado em Santarém. Estava perto da "praia de Santarém". Continuei a seguir as setas e voltei-me a perder delas e estava de novo a entrar em Santarém. Ui.


Voltei a subir e fui andando até pegar uma estrada que foi dar à fábrica de cerveja do Sousa Cintra, após ter perguntado a um bombeiro se estava nos caminhos de Fátima. Fui dar a uma rotunda. No mapa podia optar pela N3 ou por outra bem mais pequena e cénica. Optei por esta última até porque no mapa dos caminhos de Fátima que eu tinha haviam 2 paralelos, um pela N3 e outro pelas aldeinhas e uma delas situava-se no meio das duas estradas. Ainda liguei ao Ivo para confirmar isto e acabei por seguir. Em Amiais de baixo, confirmaram-me que era por ali o caminho e lá encontrei um marco.


A partir daqui o caminho é extremamente agradável, por estradões, casas isoladas e algumas aldeias. O sol estava quase a descer e tinha que procurar lugar para dormir. Após conversa com um taberneiro fiz 2 Kms para trás numa estrada de alcatrão para tentar encontrar uma igreja. Ao estranhar não encontrar a igreja perguntei a uns senhores que estavam a vender melão pela terra indicada. Foi-me dito que não existia!! Contei-lhes que estava a fazer o caminho e que queria encontrar um lugar para dormir. Apontaram-me um clube de tiro que alugava quartos. "Alugar quarto? Para mim basta um cantinho para montar a tenda" - respondi. "Ai é? então fica já aqui". O sr. António de D. Fernando foi um porreiraço. Deixou-me montar a tenda atrás de umas paletes de melão para me proteger do vento. Ajudei-o a carregar umas quantas paletes de melão num camião e depois fui montar a tenda e fazer o jantar. Ofereceu-me melão equeijo fresco da vizinha. Pôs-me à vontade para usar a àgua de uma fonte comunitária que até tinha as contas da àgua escrita a lápis num papel lá colado. 5 estrelas.


Pouco depois chega o meu cunhado de carro com a minha cunhada e sobrinho. Tirámos a bicla do tecto e montámos os alforges. Despedímo-nos da malta e o Tó foi montar a tenda e fazer o seu jantar. Á noite fomos visitar D. Fernado, beber um cafézinho e uma ginja e ver uma competição de chinquilho.Isto rodeado de uma paisagem brutal de luzes imensas e uma esfera celeste simplesmente espectacular! Tinha feito 140Kms, estava cansado, mas altamente satisfeito. Toca a dormir que amanhã há mais.

Caminho do Tejo - dia 2

Estava mesmo derreado e dormi que nem um anjo! Acordei de manhã e o Tó já estava a "empacotar" a tralha. Tinha ficado mal disposto depois do jantar e ainda andou a percorrer a estrada de noite todo encarapuçado!! Era só ver carros a fugir ehehe.





Despachei-me e pusémo-nos a andar, agradecendo ao Sr. António que já se preparava para carregar mais melão! "Voltem sempre" - rematou. Sangue bom. Voltei atrás os kilómetros que tinha percorrido para voltar ao caminho. Entrámos logo num estradão. Estava um dia claro e sentíamos a paz daqueles caminhos: excelentes e muito bem marcados. O Tó começava a ambientar-se à coisa de seguir setas no meio do nada. Apanhámos várias aldeias pelo caminho e descortinávamos a serra dos Candeeiros lá ao fundo e a do Aire ainda mais longe. Mas pelo meio havia ainda uma colina com uns moinhos no topo, o que me fez desconfiar de que iríamos subir não tarda. E não é que estava correcto? eheh




Subidas íngremes onde os Vittoria Randonneur me traíram a meio, resvalando para o fundo do rego e onde o Tó estava, inteligentemente, decidido a não esticar a corda mais do que devia. Foi doseando o esforço, como que adivinhando o que viria a seguir. Tirada a foto da praxe de cima do marco geodésico ao lado de um dos moinhos fomos seguindo.


Num cruzamento apanhámos pela primeira vez uma alternativa ao caminho! Seguímos o marco que tinha as 2 setas, uma azul e outra amarela, que correspondia a muitos dos marcos que tinhamos vindo a seguir. A outra opção tinha um "A" gravado, o que nos fez pensar em alternativa. (Cheira-me que é uma opção mais "estradista"). Mais estradões muito apetecíveis com algumas descidas mais técnicas. Até encontrarmos outra vez o alcatrão. Chegámos perto de Amiais de Cima num cruzamento onde mais uma vez apanhámos 2 marcos. Evitámos o marco "A" e seguímos para a direita, o que vendo no mapa nos ia levar para trás, mas pensava eu para uma travessia do Alviela no meio do campo.


A estrada convidou a acelerar com uma descida acentuada e bom tapete, e por acaso deu-me curiosidade para "cuscar" uma praia fluvial assinalada. O Marco estava lá mas muito escondido! Era a desconfiada passagem do Alviela, e mais uma vez apanhava uma praia fluvial numa altura em que não estava com grande vontade de me banhar!



Seguímos por mais estradões até Monsanto. Nesta bela localidade parámos num café espectacular, com aspecto antigo mas preservado onde uma bonita rapariga nos serviu dois cafés e duas fatias de um bolo de noz. Quase perfeito ou quê? Enchêmos os cantis e preparámo-nos mentalmente para a travessia até Minde, do outro lado do maciço rochoso que se encontrava mesmo à nossa frente!

A partir daqui até ao Covão do feto é estrada, sobe e desce, curva contra curva, agradável. No Covão, o do Feto pois aqui há muita terra chamada covão, o caminho embica para o topo e é uma subida extremamente inclinada até à estrada principal que sobe a serra. Mais uma vez o Tó decide levar a ginga a pé, numa de dosear o esforço, já eu prefiro colocar a mudança "sobe paredes" e vou aos zig-zagues pedalando sem esforço.
Já na estrada principal decido parar e esperar pelo meu cunhado quando reparo que um marco mais em frente aponta para o mato. Mas não me parece ver nenhum caminho e decido explorar. Não é que o caminho aponta para um caminho de cabras, com autênticos degraus de pedra e bordejado de Azevinho ou Carrasco ou como aquela coisa que pica que se farta se chama? O que vale é que também estava pejado de oregãos que dão um cheirinho espectacular à coisa.



Lá seguímos a pé a acartar as nossas biclas, também carregadas. Devemos ter feito 1 Km em vez dos 4 Kms da estrada, isto numa hora de esforço que marcou o caminho. De tal maneira que lhe chamámos o "MINDE EPIC". Só para homens de barba rija e latas de salsicha nos alforges. AahahAh pois é, o Tó andava a carregar latas de salsicha, aquelas coisas levezinhas e práticas num dos alforges.


De salientar que este caminho está cheio de lixo. São tantas as garrafas de àgua vazias que envergonha o mais badalhoco dos trekkers, ciclistas, peregrinos ou lá o que pode passar por cá! Shame on you!

Descemos para Minde a aproveitar o vento na cara e quase nos espetávamos numa curva perigosa. Na descida há um caminho alternativo para quem vai a pé pelo meio dos arbustos, mas o caminho aconselhado para as biclas é seguindo o alcatrão. Por uns 300 metros decidimos seguir em frente pois estávamos já bem arranhados para contar a história. Na vila perguntámos a um Bombeiro onde se podia comer bem e barato ao qual ele respondeu que naquele dia só no covão do Coelho, que era a caminho de Fátima. Então decidimos seguir o caminho até essa terra. Aqui as subidas também eram jeitosas e ambos nos ressentíamos de alguns músculos não pelo ciclismo mas mais pelo "Minde Epic". O caminho mete-se por atalhos pelo meio do mato e estávamos a ver que nunca mais.

Parámos no largo da igreja e o Tó só desejava ver-se livre das salsichas. Cozinhámo-las ali num refogadito, com massa, milho e fruta. A vontade de largar lastro era tal que o Tó queria trocar umas latas de salsicha pelas bicas no café local ahhaha. Dormímos uma sesta bem merecida mas que as moscas e o sino da igreja não nos deixaram.

Seguímos caminho. Aqui apresentam-nos a alternativa de seguirmos por alcatrão (Fátima caminho bom) ou por trilhos na serra (Fátima caminho irregular). Dúvidas? Siga pelo mato. Andámos em trilhos onde alguém se lembrou de colocar brita, concerteza para que não levantasse pó. Uma mensagem para esse(s) senhor(es): "A brita não ajuda nada nem quem vai a pé nem quem vai de bicicleta!". O que vale é que passado uns 4 kms ela desaparece. A paisagem é típica daquela zona, cheia de pedras e muros de pedra. Aqui os marcos vão marcando os kms até ao santuário, o que por vezes é uma beca chato. A meio íamos perdendo o rasto deles pois alguém abriu um novo trilho a buldozer e obviamente não existe lá marco. Mas vimos um lá ao fundo que nos despertou a curiosidade, isso e uma coisa brilhante que se revelou ser uma porta de um carro! Ali, no meio do nada...


Aqui já pedalava quase só com a perna direita pois sentia uma dor aguda no joelho esquerdo. Os últimos Kilómetros são percorridos por entre aldeias muito pitorescas e passamos a A1 por um túnel e o caminho acaba mesmo num dos parques que rodeiam o santuário. Reparámos na quantidade de pessoal acampada nestes parques e ficámos contentes por não termos vindo no fim-de-semana de 15 de Agosto. Havia de estar lindo, nessa data.

Fomos até ao Santuário, onde o Tó passou a acreditar no poder divino após ter levado duas vezes com o pedal na canela seguidos de duas piadas. Pelo sim pelo não já só disse umas piadas fora daquele recinto! eheh


Fomos a uma farmácia comprar um creme anti-inflamatório e decidímos não seguir naquela noite para Tomar devido à dor que sentia. Jantámos no restaurante de um benfiquista ferrenho, onde o Tó emborcou uma Imperial à Benfica. De salientar de que este restaurante fica na parte mais "albufeira" de Fátima, onde tudo é caro e não abona a favor da boa fama daquela zona no centro do país. Num próximo passeio temos de ir comer a um restaurante sportinguista para lhe retribuir este jantar eheheh.


Fomos montar a tenda ao lado das demais nos parques e adormecemos junto das carradas de famílias de devotos que por cá acampavam e não podiam ou não queriam estoirar fortunas em dormida e/ou comida nos estabelecimentos locais. À noite ainda assistímos a uma procissão das velas e ala que se faz tarde.


Caminho do Tejo - dia 3

Acordámos às 7h00 com um chorrilho de badaladas que tocava mesmo ao lado dos nossos ouvidos. Desmanchámos campo e fomos tomar o pequeno almoço. Caímos no erro de ir a um café mesmo no centro, pelo que fomos enganados: o café estava péssimo, um bolo era intragável e o pão do dia anterior. Um brasileiro que queria fazer o camiño Português desde o Porto fez-nos umas quantas perguntas acerca dos pneus, material e pouco mais.
Uns kilómetros mais à frente, em Vila Nova de Ourém por exemplo tinhamos sido mais bem servidos e por menos dinheiro, seguramente! Quem tem a perder são eles, que não me vêem lá mais nenhuma vez! Seguímos em direcção a Tomar onde um almoço familiar nos esperava. Ou melhor, como chegámos primeiro nós é que esperámos eheh. À saída da Cova da Iria, mesmo a entrar na vila de Fátima o Tó furou, ou melhor apercebeu-se de que tinha rasgado o pipo. Ele saltou, cortado pela base. Trocámos a câmara de ar num ápice e fizémo-nos ao caminho. A estrada até Ourém é a descer e o tapete é muito bom. Percurso rolante e cénico pois avista-se o castelo ao longe.
A partir daqui é uma sequência de sobe e desce por uma nacional que nos levou mesmo ao centro de Tomar onde nos refastelámos na relva de um jardim à beira do Nabão à espera das nossas mulheres.
E foi assim que acabou esta primeira etapa de um circuito de muitas viajens que planeio fazer com a Timberlina e quem me quiser acompanhar!
Um abraço

sexta-feira, 7 de março de 2008

Viagens do Manandré.....agora pela Índia

A única coisa que podem aprender com a minha experiência, isto não a vivendo, é que nada vos prepara para a Índia. Nada que vos digam, que possam imaginar, vos prepara para a total ausência de uma visão conhecida. Tudo sai fora do nosso imaginário, esqueçam o café simpático na esquina, o prédio de fachada arranjada, a tabuleta que de maneira tão simpática vos informa em que rua estão. A única coisa que podem aprender aqui, é a destruir o vosso referencial ocidental.

Sem guia e apenas com as sábias palavras da Graça Mexia as semanas antes foram passadas entre a internet e olhar o mapa da Índia sem saber o que se escondia por detrás daquelas províncias, com nomes enormes de sílabas que parecem juntar-se por acaso. Se era claro na minha cabeça que nunca ia faltar ao casamento do Akshay, razão que me levou lá, o que estava a fazer indo três semanas mais cedo, sozinho, não era tão claro. Diria que só lá me apercebi que estava sozinho no meio dos 20 milhões de habitantes de Delhi.

Foi sobre os desertos do Paquistão, já de Lonely Planet no bolso, que resolvi seguir o conselho de Graça e ir directo a Delhi. Perto de Agra, Varanasi e Rajastão, torna-se o centro de todos os turistas, viajantes e backpackers que partem nesta viagem. A insegurança é a primeira a aparecer. Apesar de também a espaços durante toda a viagem, rapidamente se percebe que não tem razão de ser. Vai desaparecendo à medida que se vai percebendo que fora do circuito turístico, o povo indiano é lindo na sua cultura, nos seus valores e no seu sorriso.


Mais em Manandre