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quarta-feira, 23 de abril de 2014

The road to London - 1930

Uma proposta para leitura para a próxima viagem (ou quando estiverem a prepará-la):

The road to London by Eric Attwell

A travessia de África de bicicleta (com 3 mudanças) em 1930!! No mínimo WOW, se não mesmo KAWABONGA! 

"Today's generation of cycle travelers are equipped with sophisticated machines (...) They are often connected to their own world by mobile phones, email and tarmac (...) Where once long-distance cyclists experienced the world, they now record it. Where once they received, they transmit. Have we lost something in the way?"

Generation gaps à parte, não é fácil imaginar ciclistas de longa distância em 1930, com equipamento igual ao do dia-a-dia a atravessar uma África imperial, sem estradas, nem guias (os mapas estavam a ser feitos "as they went by" basicamente).

É engraçado de ler como não estavam minimamente preparados ficando todos doridos, queimados do sol e picados pelos mosquitos apenas alguns kilómetros após sairem de Port Elizabeth. Como não tiveram lá muitos furos, mas tiveram que substituir mais raios do que os que conseguiram contar. Como as mudanças não lhes serviam de nada nas subidas e que por isso gastaram mais solas dos sapatos do que as que pensavam ao empurrar as biclas. E também, o que quem viaja (especialmente de bicicleta) já sabe: a bondade dos estranhos, que é a única coisa que não podemos "carregar" mas que nos oferecem a cada esquina.

E no fim, após 22 meses e alguns dias, fizeram 11000 kms e gastaram 160£... incluindo a compra das bicicletas. Foram recebidos friamente em Inglaterra, onde ficaram a trabalhar para pagar a viagem de volta. 

Uma viagem de uma vida concerteza e que nós temos a sorte de a viver lendo as folhas deste livro! (os que conseguirem pagar o valor elevado das poucas cópias existentes...)

Aqui encontram o resumo do livro em inglês e a página do livro na goodreads.




sexta-feira, 29 de novembro de 2013

"You've gone too far this time, sir"


Este livro li-o em versão ebook no meu Kindle. Mais um livro que nos prende e não nos larga enquanto não o lemos na integra. Devorei-o e sempre que parava de ler fica vaem "pulgas" para ter um tempinho para voltar a agarrá-lo. E este é o melhor elogio que se pode dar a um livro. 

O livro relata a viagem de Danny Bent, um professor de Geografia (um padrão engraçado pois há muitos professores a viajar. Talvez porque em Inglaterra é uma profissão não tão sujeita a concursos e colocações como cá.) inglês desde a sua terra à Índia. A viagem é feita com o intuito de angariar fundos para uma escola indiana e porque Danny prometeu aos seus alunos que iria lá pessoalmente. 

A primeira nota de interesse foi quando Danny pensou no veículo a utilizar para se deslocar até à Índia e não teve coragem de dizer aos seus alunos que iria de avião após ensinar-lhes que era o meio de transporte menos ecológico que existia! Lindo! Aliás, o título do livro é uma frase que lhe foi dita por uma aluna. É um espectáculo quando a plateia é composta por crianças!! E foi por elas que ele foi até à índia e foi por causa delas que ele não desiste da viagem enquanto está ainda na Ucrânia e perante muita poluição, razias de camiões e comportamentos violentos de Ucranianos bêbados. 

Danny não é o gajo mais certinho que existe, também não é o mais organizado nem o mais ponderado, o que para mim aumenta o interesse da história! Gosto de ver acontecer aventura (ou ler neste caso) e o Danny é perito nisso para além de ser extremamente divertido. Basta ver a capa da versão Kindle para vermos que é um gajo porreiro pá (à direita).

Gostei da aventura da primeira noite em campismo selvagem onde lutou a noite toda com sombras e com as maçãs que caiam da macieira "malvada" e que lhe pareciam pedras. Da forma como lidou com o gosto mórbido por alcóol e armas (misturadas) dos ucranianos, das suas peripécias nos "stans" e em especial no Paquistão. A forma como o atravessa, conhece um país muito diferente do que conhecemos, passa por controlos alfandegários, bloqueios de estrada, vilas sem mulheres à vista, assédio sexual por parte de homens machistas, casamentos que são autênticas multidões é no mínimo exuberante. 

Para não falar na sua travessia desse sub-continente que é a Índia. País de contrastes extremos, que vão da sobre-populada Mumbai, às praias cristalinas e techno-raves de Goa, das aldeias pobres aos cultos riquíssimos. Tudo relatado de uma forma espectacular, viciante e até inspiradora. 

Como diz na capa: "Isto acho ser o mais próximo que alguma vez vi de ter encontrado um amigo num livro!" 

Concordo. Leitura obrigatória. 5 estrelas ou mais!










quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Moods of future joys & From thunder to sunshine.

 
Moods of future joys
Alastair Humphrey pedalou pelo mundo de bicla e encantou-me pela forma como o fez e escreveu!

O rapaz, já com algumas aventuras de bicla nas pernas e uma atração inata pela aventura, teve a coragem para largar tudo e fazer uma volta ao mundo. Mas a ideia não era essa. Ele saiu da sua Inglaterra natal em direção ao médio oriente. A sua ideia era pedalar o Karakoram e ir até à India. Daí tentava perceber o que queria e decidiria na altura. Só sabia que não queria pedalar por Africa pois o calor e a incerteza de segurança assustavam-no. Acontece que quando ia a sair da Europa e entrar na Asia via Turquia acontece o 11 de Setembro. Apanha-se numa encruzilhada brutal: com passaporte inglês não se iria aventurar a caminho da Asia pelo caminho programado. Apanharia países como o Iraque, Irão, Afeganistão ou Paquistão que estavam completamente fora de hipótese. Seguir pela Rússia era uma aventura de proporções épicas para o qual não estava preparado. Faltava a opção AFRICA que tinha posto de parte ainda antes de partir. Avisou família e namorada que seguiria por Africa e assim foi. Não se arrependeu e até lhe deu vontade de continuar e acabar por dar a volta ao mundo. (desculpem o spoiler). Esta flexibilidade e espontaneidade, somadas a uma escrita fluida pontuada com humor britânico e reflexões pertinentes fizeram-me ficar agarrado a este volume e sonhar com a continuação. Felizmente existe uma continuação: 
From thunder to sunshine
 
 
Este último relata a viagem após a decisão de seguir em frente já na cidade do Cabo. Conta como atravessou as Americas até ao Alaska pela panamericana, atravessou o estreito de Bering e aventurou-se na Sibéria pela Road of bones, voltou à costa para ir ao Japão, voltar ao continente para a China e aí fazer o percurso pelos “estões” até casa. UFF. Não estão cansados?

Alaistar era professor de Inglês (agora dedica-se a aventuras e a superar-se a si mesmo) e contactava escolas locais para apresentar o seu projeto pelo caminho. Chegou a trabalhar numa no Peru. No segundo volume descobrimos que um dos motivos que o levou a realizar esta viagem foi a de descobrir se era capaz de escrever um livro. Eu e muitos outros dizemos que sim. Muitas vezes sentia-me perto da ação sentido as dificuldades, a felicidade, os cheiros e a cor, chegando a rir-me a gargalhadas despregadas com o relato das suas peripécias. Ele conta como pedalando no Salar de Yuni decidiu divertir-se e começou a pedalar apenas com um gorro, as luvas e sapatos. De resto ia nu rindo dos comentários dos jipes que passavam, até que um decide abordá-lo. Atrapalhado tentou vestir-se depressa, mas não evitou o embaraço. Mas isto não era nada, acontece que semanas mais tarde, no Peru encontrou-se com uma professora primária numa escola onde ia dar uma palestra e descobre que professora era uma das turistas desse jipe! Hilariante, aconselho vivamente.