terça-feira, 26 de maio de 2015

Another Horizon

Mais um blog visualmente bem conseguido de uma aventura de uma vida!



Percam-se na aventura deste Inglês, com fotos e vídeos de sonho. 




segunda-feira, 23 de março de 2015

Voltinha ao cabo Espichel dia 2

8 da manhã, quase 12 horas depois de se deitarem, os miúdos acordaram! 

A noite foi bastante ventosa, amainando apenas de manhãzinha. De qualquer forma dormimos muito bem na tenda. Procurámos um lugar protegido do vento e com o sol a bater e tomámos o pequeno-almoço. A Nana, no seu jeito curioso disse que parecíamos "pobrezinhos". Santa inocência, saberá mais tarde que são experiências riquíssimas!!

Loiça do jantar e do pequeno-almoço lavada e a secar ao sol!

"parecemos pobrezinhos"

A malta da PROVE chegou à quinta depois de lavarmos a loiça e arrumarmos campo. Fomos perguntar se podíamos ajudar e os meninos estiveram a ajudar a dar de mamar a um borreguito que foi rejeitado pela mãe-ovelha. A Suzy pediu um nome para os borreguinhos, aos quais o Gugas e a Nana responderam "Brócolo & Alface", alterando para "Bart & Lisa" mais tarde.

A malta que estava a "encabazar" estava em modo "linha de produção". Via-se que tinham o processo bem definido e que era tudo muito automático. Qualquer tentativa de tentar ajudar provocava um atraso enorme e então decidimos dar uma volta: ir visitar o Cabo Espichel!

Saímos da quinta com as garrafas/bidon para encher e o lixo não orgânico para despejar. Mal sabíamos da subida que nos esperava. São 2Kms até a Azóia, parecido com a subida de Algés para Linda-a-Velha, mas com maior declive e em estradão! Vale pelas vistas!

Chegados à Azóia, fomos beber um café (devíamos ter bebido no Cabo Espichel). Enteirámo-nos da vida na Azóia. Sabíamos que já não havia pão, que a maioria do comércio ia fechar à tarde para irem ao carnaval e perguntámos onde podíamos almoçar (caso não quiséssemos cozinhar). 

Com isto seguimos para o Cabo. Zona normalmente ventosa, estava brutalmente ventosa. Prendemos as bicicletas e fomos visitar o Terreiro do Cabo Espichel, a igreja de Nª Srª do Cabo, ver a vista para a vista para a baía dos Lagosteiros perto da ermida da memória. 



Estava a ver que a Nana voava!



Íamos voando e as as bicicletas do Gugas e da Cris chegaram a ser projetadas para o chão. O desviador dianteiro da Cris bateu num pilarete e deixou de funcionar!!!!

Ainda fomos até ao farol, mas o vento estava danado!

Voltámos para a Azóia a muito custo e decidimos almoçar por lá mesmo, no Retiro dos Amigos. 

Fomos muito bem recebidos, almoçámos mesmo bem e barato! Depois ainda comprámos uns bens na mercearia para o jantar, onde nos ofereceram uma alface. Ainda enchemos as garrafas/bidon. Gente boa.

Fomos a uma queijaria comprar queijinhos frescos, onde o Gugas ficou a saber o que é necessário para fazer queijo...e o cheiro de uma queijaria!!!

Voltámos à quinta, desta vez a descer pelo estradão. 

Ficámos pela quinta a passear, brincar, jogar, fazer TPC (Gugas), lanchar e preparar o jantar. 


Lanchinho enquanto se prepara o jantar 

Fizémos sopa e wraps de vegetais com queijo fresco.

Sopa do campo


Wraps de vegetais

Seguiu-se o habitual jogos noturnos dentro da tenda, xixi, cama.



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015

Voltinha ao Cabo Espichel em família (carnaval 2015) - Preparação e dia 1

Por falar em planos furados e em mudanças de planos, começo por dizer que havia um plano já antigo: 

dar uma volta pela península de Setúbal de bicicleta em família. 

Já tínhamos tirado férias para o fazer em 2014, mas a Cris partiu o pé um mês antes. Tivémos que alterar planos e adiar o passeio. Entretanto falámos com uns amigos que também queriam experimentar viajar e acampar em família e ficámos de marcar algo quando a Cris se sentisse bem do seu pé. 

Este carnaval não tinhamos nada planeado e possivelmente iríamos até à terra descansar um pouco. O Gugas tinha um acampamento dos escuteiros o que nos cortava uns dias, mas era o plano. 

De repente, uns dias antes lembrei-me que os nossos amigos agricultores da PROVE estavam sempre a dizer que havíamos de ir à sua quinta, para vermos de onde vêm os maravilhosos legumes dos cabazes. Fez-me um clic. Como o tempo se afigurava relativamente bom, perguntei se podíamos montar tenda na quinta durante as férias do Carnaval e até ajudávamos na colheita e no "encabazamento"!! 




A resposta foi automática e o único problema é que o Telmo e a Sónia não podiam lá estar para nos receber, apenas a Suzy, o Nuno e o resto da troupe, mas iam estar super-atarefados com os cabazes que não nos podiam dar muita atenção!! 

Ficou a promessa de lá voltarmos noutro dia e com o resto da vizinhança! 

PROMETIDO!

Mas então só faltava propor ao resto da família!

Viajar em família é diferente, completamente diferente do que viajar sozinho ou apenas com o Gugas. Ainda por cima seria a primeira viagem e algo que não corra menos bem pode ser traumático e fazer com que futuras viagens fiquem comprometidas, mas estava confiante e resultado final veio comprovar a minha confiança.

A proposta foi bem aceite e logo nos pusémos a preparar o material. 

Mentira ;) 

a vida continuou, o Gugas estava em plena época de testes, tinha um acampamento pela frente e nós outros compromissos. Mas no fim-de-semana antes do carnaval, já com o Gugas a acampar, verificámos as bicicletas, colocámos alforges e sacos estanques em cima da cama e começámos a preparar o material.


O material em cima da cama

Apesar do bom tempo, não nos podemos esquecer que estamos ainda no Inverno. As previsões davam mínimas de 5º e máximas de 15º para o Meco. Ia estar nublado para segunda, solarengo mas muito ventoso para Terça e menos ventoso mas igualmente solarengo para Quarta. 

Roupa, roupa e mais roupa. Depois os sacos-cama e matelás (colchonetes). Eu já tenho um saco-cama e um matelá relativamente pequenos, mas o resto da família tem ainda material muuuito volumoso. E para somar ao volume, umas mantas pois as meninas são friorentas! 

A tenda é familiar, uma T3, que apesar de pesar "apenas" 3 Kgs é grande!

A somar a isto tudo temos a cozinha: gostamos de ir autónomos, por isso temos que contar com material para cozinhar e comer para 4 pessoas! Para além de tudo o que vem atrás disto: bacia, detergente e esfregão para lavar, bidon de 5l para guardar água, etc. etc. 

A decisão óbvia foi levar o atrelado: um burley nomad.


O atrelado na sala já com o material volumoso

Assim o material mais volumoso (tenda, matelas, cozinha, bidon, cadeiras) foi no atrelado, enquanto que a roupa e comida foi comigo na xtracycle (para além da Mariana) e tanto o Gugas como a Cris levavam os 4 saco-camas, 2 em cada um nos seus alforges.

E assim fomos!

Á saída de casa...a foto que foi postada no Facebook


Disse lá em casa que queria apanhar o barco das 9h da manhã! Era bluff pois se apanhássemos o das 10h já era bem bom! ;) 

Mesmo com as biclas e atrelado já totalmente carregados, a tarefa de acordar, vestir, comer toda a gente lá de casa nunca demora menos que 1 hora! 

Mas eram 9h00 quando tirámos a foto da partida.


9:00m e 0 Kms


Uma corrente fora da cremalheira, uma mala a roçar o pneu, tudo resolvido e siga para Belém às 9h15m!!

O percurso da DocaPesca

Descemos a Junça, atravessámos a estação de comboio para Algés e fomos pela ciclocoisa de Belém até à estação! Chegámos pelas 9h40m, com bastante tempo para comprar bilhetes (1,12€ cada com zapping).

Já no cais de embarque

Primeira grande diferença em relação às viagens com o Gugas: ele vai logo brincar com a irmã, em vez de me estar sempre a solicitar. Assim fico com mais tempo para estar com a Cris! ;)


A espera em Belém

Travessia do Tejo realizada sem stress...as únicas viaturas a bordo eram as nossas!

Do outro lado apanhámos a ciclovia da Costa. Com troços a servirem de estacionamento de barcos de pesca :( lá seguimos caminho. Numa pequena subida grito para que todos ganhem balanço e sem me lembrar que tinha o atrelado comigo fiz uma razia a um lancil. A roda do atrelado tocou no lancil e zás, o desgraçado virou-se! MAÇARICO!

O que vale é que o material é bom e a velocidade não era muita! Lá o endireitámos e seguimos caminho.

A pedalar com estilo pela Costa da Caparica

Num instante chegámos à Costa da Caparica, com o seu mercado vibrante e parámos para beber um cafézito e esticar as pernas. (isto tem de ser assim, muitas paragens e apreciar todas as coisas boas pelo caminho).

Preparei-os para a estrada das praias da Costa...uma estrada em mau estado, com algum trânsito (de semana e Inverno, era menos mal) e com uma subida digna de registo no fim. 

Lá seguimos, sempre em filinha e sem stress. Na subida desmontámos e fomos a empurrar as burras, devagarinho. No topo apreciámos a vista! 

Seguimos pelos caminhos florestais da mata dos medos. Foi excelente a reacção dos putos e da Cris em relação ao silêncio!! O barulho dos automóveis é uma poluição sorrateira...é um barulho chato, de fundo, tipo exaustor da cozinha que quando é desligado é um alívio tremendo. 

Pedalar numa estrada só para nós, rodeados de mata, ao som dos passarinhos...foi espectacular!

Passámos pela Bateria da Raposa, onde o Gugas já tinha acampado com os escuteiros. Seguimos sempre para sul pela estrada até ao quartel da GNR da Fonte da Telha e daí até ao quartel da base da NATO da Apostiça. 

É o fim da estrada. Vamos em hp (hors piste) até à entrada da Herdade da Apostiça. 

Parámos para almoçar por volta das 12h30m: esticámos a esteira, montámos as cadeirinhas e "sacámos" das sandochas, fruta e sumos!


Almoçar e brincar nas areias da Apostiça


Enquanto isso os miúdos "sacavam" dos brinquedos e punham-se a brincar na areia. O nublado tinha sido substituído por um sol radioso!! 

Se por um lado permitia tirar o corta-vento, por outro é preferível um certo fresquinho do que um calor abrasador em viagem.

O ritmo tinha sido agradável. O suficiente para não "molengarmos" e também não ficarem com as pernas doridas. 

Agora íamos atravessar parte da Herdade da Apostiça: alguma areia em pinhal, com cerca de 6kms de extensão até à N377, perto da ponte sobre a ribeira da Apostiça. 

Isto porque temos que contornar a Lagoa de Albufeira (verdadeiramente uma Laguna, pois a barra é aberta periodicamente pelo homem desde o séc. XV)

A entrada na Herdade é feita com muita areia, como era a descer todos os santos ajudaram. Já na Herdade há que passar uma pequena vedação para irmos pelos trilhos mais simpáticos e não percorridos pelos veículos TT. Abrimos passagem e voltámos a fechar. 

Os trilhos eram espectaculares...areia rija, com muita caruma e alguma vegetação rasteira que não permitia que a bicicleta se enterrasse. Com altos e baixos, muita sombra e o tal do silêncio bom! Do nosso lado direito uma duna gigantesca que nos protegia da maresia. 

Passado um pouco, o trilho acabava todo "trocidado" por rastos de máquinas que andaram por lá no abate de pinheiros, empilhados em montes também gigantescos. Sem árvores, o calor fazia-se sentir intercalado com algum vento já mais forte. Os trilhos tinham um ar desértico, e haviam mais subidas/descidas. 


Pedalando no KKH..ehr Apostiça! ;)

Não tarda estávamos perto de edifícios de arrumos da guarda florestal da Herdade da Apostiça. Descansámos numa sombra onde os meninos andaram a apanhar flores para o caderno de campo. 

A N377 ia ser um desafio. Se por um lado não tinha grande trânsito, para sul é ligeiramente a subir, com bastantes curvas....e as pernas da Cris já tinham 25Kms em cima. Colocada a possibilidade de virar para a Lagoa de Albufeira e fazer parte do percurso com menos trânsito mas em vias não alcotroadas, a opinião foi unânime: vamos em alcatrão já para Alfarim!

Ok! Fomos pela N377 e às 15h30m estávamos num café em Alfarim a lanchar à grande!

A lanchar em Alfarim...
onde quer que parássemos o estacionamento era nosso! ;)

Daqui a ideia era ir até à Aldeia do Meco e depois seguir em direcção à praia da foz...pela mata. 

Da praia da foz, o mapa indica uma subida até a um marco geodésico (com uma cache) em poucos metros....significa subida bastante declivosa!

Lá seguimos e pelo caminho encontrámos o Nuno da Prove que nos confirmou estarmos no caminho certo e que estaria por lá para nos receber e um amigo, o Rodolfo que vive aqui perto e que estava a passear de mota pela mata. Em conversa apercebemo-nos que conhece os nossos anfitriões!! O mundo é minúsculo.

A subida após a praia da foz confirmou-se ser declivosa e a Mariana saiu da bicicleta para empurrar o atrelado! Todos ajudam!

No marco geodésico aproveitámos para assinar a cache e trocar um brinquedo por outro. 
A cachar perto da quintinha


Uns metros mais à frente estávamos na quintinha e a montar a tenda por baixo de um telheiro.

Passado menos de 1 hora estava a ficar escuro, levantava-se um vento forte de Noroeste, mas nós estávamos na tenda, com banho (de gato) tomado e prestes a jantar. 

Menu: Couscous com atum para os pais e Noodles com atum para os meninos! 

Serão na tenda, com joguinhos, conversetas e muita risada. Ás 20h00m já os meninos ressonavam! 

Nós também não demorámos muito mais a cair no saco-cama!

Os 42Kms do 1º dia.



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

xtracycle camping em família

Nestas mini-férias do Carnaval vai haver um xtracycle camping em família. Tipo este filme (excepto a parte de pedalar na ponte, que na Golden Gate de S. Francisco é possível, na 25 de Abril [ainda] não é ;)



Vai ser um teste e quero num futuro próximo levar outras famílias (com e sem xtracycle) numa mini-aventura destas! ;)

Fiquem atentos que vou tentar fazer uma mini-reportagem com filme depois!!

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

Porque não? (motivational)

Como estão na moda os TEDx e os discursos motivacionais, 
cá vai um TEDx motivacional sobre lançarmo-nos numa aventura, 
por Alastair Humphrey's já aqui falado. 



quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Nordkapp

A ver se acampo este fds. Só mesmo pedalar, montar tenda e curtir uma noite de campo. Cozinhar, na fogueira de preferência, ver as estrelas, dormir bem equipado ao frio! 

Por falar em frio, nem sei o que será pedalar no cabo norte!!!


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Tempo invernal

Tem estado um tempo lixado: frio e muita humidade, mas nada que nos impeça de sair de casa a pedalar. 

Continuo a acampar uma vez por mês e em Janeiro ainda não saí. Vai ter que ser no último fds, nem que seja a voltinha típica Sintra-Belas! 



Entretanto não se pára de viajar: testando material nos acampamentos, recebendo e falando com viajantes através do Warshowers.org e vendo filmes: 






sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Voltinhas?

Têm feito algum overnight? 


Este é um vídeo de uma saída em bikepacking no sul da Finlândia no solstício de Verão, mas bem que podia ser o nosso outono! ;)

Tenho que perder algum tempo a aprender técnicas de filmagem...estive o fds passado pela Arrábida e não tenho imagens de jeito para mostrar! 


quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Nutrição nos trilhos

A Bikepacker Magazine conduziu um inquérito on-line sobre o que comem os bikepackers nas suas aventuras. Eis o resultado do inquérito:


Aparenta que quem faz bikepacking conhece bem o seu corpo, sabe o que quer consumir e prefere fazê-lo em casa do que comprar no caminho. Eu tb gosto de levar parte da comida que vou comer, comprando algo complementar pelo caminho. É que nem sempre é possível arranjar o melhor ou mesmo alguma coisa pelo caminho, mas comprar localmente e lidar com as pessoas faz parte da aventura. 

Não há "receitas" para todos, há a M.I.N.H.A. receita...e qual é a T.U.A.?

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

trilhos, trilhos e mais trilhos...

Nada como este tempo para motivar a procura de trilhos num computador!



Entretanto vai-se pedalando, mesmo com mau tempo, mas no percurso casa-trabalho, trabalho-casa. 


A ver se no próximo fim-de-semana tenho tempo para apanhar algum ar fresco...no quintal a sul de casa!




quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Bikepacking por Montejunto - 1 e 2 Novembro 2014

Já estava com "sarna" de casa, tinha que ir para o mato ;). Queria ir explorar uns trilhos que tenho no Montejunto em estilo bikepacking

Vários amigos tinham manifestado a vontade de irem comigo e experimentar uma noite no mato em stealth mode (pernoita selvagem). 

Juntei as vontades e lá fomos. Após várias combinações lá acabámos por ser apenas 3 (o número mágico). O B levava a sua xtracycle btt e o G a sua trekking com alforges. Eu, que já vinha a preparar a trekking para estas lides, não a deixei de a levar...conjunto engraçado de biclas para bikepacking! 
Mas o que conta é mais a vontade do que o material e por isso seguimos!

A ideia era irmos ter a Torres Vedras onde o B nos esperava. Combinei com o G em Mira-Sintra. 

Saí de casa às 8h15. Fui verificar o ar nos pneus à bomba e às 8h20m estava a caminho. A primeira molha apanhei na serra de Carnaxide. Chegado à Amadora já estava seco. Siga que para a frente é caminho. Passei pelos fofos de Belas sempre a abrir para não parar ;) e apanho a segunda molha perto do quartel da Carregueira. Chegado à estação de Mira-Sintra, 16Kms e 45min depois, encontro-me com o G. 


Zona saloia, à saída de Belas

O comboio da linha do Oeste...




Verificámos que o magnífico comboio que nos transportaria pela linha do Oeste era de apenas uma carruagem/máquina. É decepcionante a "sangria" que andam a fazer ao nosso transporte ferroviário. Para além de nós, apanhámos um grupo de escoteiros da Ajuda que iam pedalar para a zona da Foz do Arelho, acampar e pescar. Fez-me lembrar as minhas viagens com a minha equipa em tempos idos. Tanto pelas biclas, como pelo material que é levado às costas (aprendem da pior maneira), mas mais pelo espírito de Insha'Allah que transbordavam e  que ainda me acompanha! ;)

Escusado será dizer que foi extremamente difícil colocar tanta bicicleta naquela carruagem. Valeu a boa vontade do revisor e maquinista, mas nestas coisas estamos sempre com um pé na Europa e outro em África: nem temos todas as condições, nem temos um total à vontade para amontoar e sigapabingo...é sempre à base da (difícil) negociação. 

Menos de uma hora de excelentes paisagens depois estamos em Torres e somos surpreendidos pela família do B. Fomos levantar dinheiro e seguimos logo para um trilho que o B nos tinha para presentear. 

Entrar no trilho à beira do Sizandro

Seguia o Sizandro e tinhamos companhia de vários atletas que faziam um ultra-trail naquele sábado. Não tarda estávamos a passar pelo complexo termal dos Cucos, local lindíssimo entre o abandonado e o "algo estimado", que em conjunto com as cores outonais lhe davam uma aura mística. Continuámos por trilhos rolantes entre fornos de cal e antigos moinhos de água, por terras de Matacães (aparentemente os cães eram os Franceses no tempo das invasões Napoleónicas). Por lá, encontrei um amigo dos Nomad's que andava a fotografar o dito ultra-trail, e o já antigo lema "Bons amigos por maus trilhos" está forte e de boa saúde! ;)


Edifício principal do complexo termal

Os trilhos acabaram a certa altura e fizémos uns Kms de estrada para avançar. Comprámos pão (daquele bom, denso), fiambre e queijo (embalado e não fatiado na hora!) pelo caminho e procurávamos um local que nos vendesse uma sopa quentinha. Coisa cada vez mais difícil, assim como encontrar bicas de água ou indicações de trânsito que não incluam variantes ou vias rápidas ;o).


Trilhos

 E mais Trilhos

Optámos então por "picnicar" num vinhedo e beber um café bem antes da subida aos míticos 666m da serra de Montejunto!

A pensar no jantar andámos também à procura de uma mercearia ou talho aberto, mas já tinha tudo entrado em modo "fechado para almoço". À medida que subíamos, mais nos afastávamos de povoações e a probabilidade de encontrar alguma aberta diminuía. Eu já olhava para os pomares e para as hortas visíveis da estrada e pensava em fazer um pequeno raid a couves e peras! ;)

A última aldeia antes da mega-subida estava em festa. O centro estava engalanado, o palco estava montado e estava tudo bem vestido! 
O G decidiu lançar o isco e perguntar se havia algum sítio onde pudesse comprar fruta ou um litro de leite. Era dia de festa e por isso estava tudo fechado, mas levaram-nos a casa de uma senhora que tem um armazém de fruta. Não perdemos nada em tentar, pensámos. A senhora lamentava pois não ia abrir o armazém, mas quando viu que éramos 3 e de bicicleta foi buscar fruta que tinha por casa e ofereceu-nos. A bondade de estranhos em viagem continua intacta e mesmo pedindo para pagar o leite que nos cedia fomos brindados com um "era o que mais faltava". 

Bondade de estranhos


Um bom élan para "atacarmos" a subida!


A subida


Vista de cima para baixo

Subida é favor...estradas terciárias, se bem que alcatroadas com inclinações de 13% em alguns locais. A minha trekking não tem tanta desmultiplicação como a BTT e isso notou-se. O B, com a xtracycle estava bem pior que nós, mas não tarda estávamos perto dos moinhos da serra. A vista valia bem a pena! 

Parámos perto de uma casa abrigo para fazermos uma cache. Ao arrancarmos, o B reparou que um barulho estranho vindo do selim era o resultado de uma rachadela no espigão, mesmo no local onde se prende o rail do Brooks. Ainda testou a possibilidade de ir sentado no assento do xtracycle, mas para além do estilo "chopper" e de saber que tinha uma alternativa caso ficasse sem selim, não lhe dava grande jeito! 
Se falhar, tenho alternativa!!!

Lá seguimos a subir por estrada (uma ciclovia imensa) ao som do "eye of the tiger"!! 
Vista

As vistas, o tapete de alcatrão, o tempo fantástico, o ar puro, a ausência de carros...isto tudo junto compunha um excelente postal de cicloturismo! E tudo a 60kms de Lisboa. 

"Ciclovia" do Montejunto ;)

Chegámos ao parque de merendas do parque natural de Montejunto com menos de 35Kms nas bicicletas. Visitámos o centro de interpretação do Parque natural e fomos até ao bar da serra para beber um café. Ficámos agradados com o ambiente do bar e o G pede uma tosta pois a subida deu-lhe fome. Entretanto estávamos a combinar como seria a pernoita:

A ideia é montar campo após jantar para não fazer fogo na floresta. Escolhermos um local recôndito, de preferência sem muito vento, sem muitos buracos ou pedras e recolhermo-nos em silêncio. Deitar cedo pois fica escuro cedo. De manhã cedo é acordar com o nascer do sol e lançarmo-nos ao trilho para tomarmos o pequeno-almoço.


Parque de merendas e bar da serra

Com um Wheel bender de madeira...catita

Bem dito, melhor feito, mas não sem antes eu e o B pedir-mos também uma mega-tosta de 3€ e uma imperial para ficarmos jantados. 


O parque de merendas

A tosta (ainda há a "XL")

Antes que fuja


Depois de mais ou menos meia hora encontrámos um sítio entre pinheiros, protegido do vento, com bastante erva seca ideal para o conforto e longe da vista. Montámos tenda e deitámo-nos. 

Ás 19h! ehhe

Deitar cedo, como em qualquer pernoita no mato, e depois contar mentiras até adormecermos. 


A quantidade de erva escondeu-nos um grande alto, mas de qualquer forma dormimos confortáveis.


Esta vai para a "View from the tent"

Completamente stealth

De volta ao parque de merendas

Voltámos ao parque de merendas para tomar o pequeno almoço. Cereais, leite, fruta, pão, café quente, nada faltou. Seguimos caminho, desta vez até ao cimo, perto das antenas. Esta fresco, mas excelente para Novembro em Montejunto. Perto das antenas cruzámo-nos com um grupo de "drifters" que traziam os seus triciclos numa carrinha e depois desciam a alta velocidade. 

Depois de vermos as vistas descemos e como não queria vir a Montejunto e não fazer trilhos propus um atalho. Lá atalhámos logo depois de 100m de alcatrão. Pusémo-nos num trilho de cabras, sempre a descer até aos moinhos da serra.

Não tardou em ouvirmos uma ambulância (terão sido os drifters??) e o G. que tinha acusado o frio matinal já estava cheio de calor. A verdade é que o trilho tem muita rocha, como é apanágio de Montejunto e é muito castigador para bicicletas com roda mais fina e pneu menos grosso. De qualquer forma, para frente é que era caminho e aproveitámos para irmos tirando as fotos mais espectaculares de toda a viagem.

Os drifters

As torres

A vista

O começo do trilho

A vista no trilho








 Era assim que nos sentíamos ao acabar o trilho

O Gps do B. ainda caíu no trilho, mas voltámos atrás à procura e apareceu (UFF). Chegados ao alcatrão, perto dos moinhos aproveitámos para nos vingarmos da subida do dia anterior...era sempre a abrir (haviam de ver a cara de intrigados por nos verem a descer cheios de carga e a xtra a ultrapassar ciclistas em subida ahaha).

Despedimo-nos num cruzamento pois o B ainda ia almoçar com a família em Torres Vedras (fez um S24O). Eu e o G seguímos em direção a Lisboa. Víamos Montejunto de longe, vista igualmente brutal. Seguimos maioritariamente pela N115. Merceana, Sobral de Monte Agraço, Bucelas, Sto Antão do Tojal onde nos separámos. O G seguiu via trilhos pela Trancão até ao parque das nações e eu segui via Loures, Odivelas (ainda pensei ir até A-da-Beja, Belas, Lav) onde virei para Lisboa pela calçada de Carriche, Lumiar, Benfica, Brandoa, Alfragide, Carnaxide e por fim Linda-a-Velha. Cerca de 70kms sempre rolantes e extremamente agradáveis (até Loures :( )  

A vista de Montejunto ao longe

Ciclovias descomunais ;)


Almoçámos em Merceana

Já no Lumiar


Os percursos sobre o Modelo digital de terreno com um drape de imagens de satélite:

No Montejunto, vermelho a subir no primeiro dia e a amarelo o segundo dia.

Noutra perspectiva.


O percurso inteiro (vermelho dia 1 e amarelo dia 2, sem o percurso do comboio)