terça-feira, 30 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 5)

Dia 5 (4 Junho)


O dia era para "bezerrar", mas acabou por ser bem diferente!!

A ideia era irmos à praia, comer, beber, explorar a zona e mais nada. Acordámos mais tarde do que o costume e deixámo-nos ficar a apreciar a preguiça. Estávamos com a porta da tenda aberta e a olhar para o céu na conversa, até que...começa a chuviscar.

Fecho a tenda para não nos molharmos. Ora bolas, com chuva já não dava para aproveitar tanto a praia e conversa puxa conversa, pensámos em ir a Espanha de bicla...ISSO MESMO! O plano tinha-se alterado (é a magia de viajar sem planos) e agora íamos a caminho de Espanha!

Levantámo-nos mal acabou de chover e aproveitámos o tempo cinzento para arrumarmos a bicla. Despedimo-nos do casal Inglês que tinha sido nosso vizinho e fizémo-nos à estrada. A senhora do camping confirmou-nos que da Salema para o Burgau dava para ir ao longo da costa.

Descemos até à Salema e seguímos um risco azul marcado na berma da estrada: era a marcação da eco-via do Algarve. Fizémos uma grande subida até encontrarmos uma tabuleta que indicava o fim do troço urbano da Salema da eco-via, o que significava que entraríamos num trilho bem batido a caminho do Burgau.



Alto trilho, mas para ser feito numa BTT com menos carga!! A descida para a praia da (esqueci-me do nome) era bastante íngreme e esburacada. Temi pelo equilíbrio do conjunto pois não me podia esquecer que levava 25 Kgs do puto e cadeira mais cerca de 15 Kilos de cada lado. Chegado ao alcatrão ainda me meti no trilho que seguia para o Burgau, mas desisti. Não valia a pena estar a meter-me por trilhos tão carregado como estava. Fomos directos à N125 (boring!).



Íamos ao longo de uma ribeira a observar a carrada de sapos e/ou rãs a fugirem e umas Garças a tentarem apanhá-los (acho que eram Garças), quando vimos uma cadeira à beira da estrada a anunciar Alperces (ou Apricotes, como chamam no algarve, talvez um Anglicanismo). Estávamos com fome, pois não tinhamos encontrado nada aberto para comer e o resto da pizza da noite anterior tinha sido escassa ;o). Entrámos no terreno, a caminho da casa para onde o anúncio apontava. Fomos recebidos por 2 cães a ladrar seguidos por um gato curioso e pela dona, uma Inglesa descalça que vivia naquela casa sem electricidade. Dissémos que estavamos na vadiagem e que queríamos uns quantos alperces. A senhora ficou baralhada e perguntou se os queríamos gratuitos, se queríamos muitos ou poucos...estranhei, e disse que qualquer meio-kilo nos servia, pois de bicla também não podíamos carregar muito.

Fomos apanhar os alperces com o Gugas a devorar logo uma meia-dúzia directamente da árvore. Enchemos um saquito com o que ela dizia ser meio-kilo e pediu-me 50 centimos. A senhora achou piada ao gosto do Gugas pelos animais e foi apresentar-lhe as galinhas e sapos. Gostou do facto de viajarmos de bicla, for a CAR(E)-FREE WORLD. De repente, deu-lhe o "amoke" e foi a correr para dentro de casa pois tinha algo ao lume.

Nós também seguimos caminho e reparámos melhor na cadeirinha que estava a publicitar as alperces: afinal estavam lá vários sacos com meio-kilo de alperces para retirar e um copo para se colocar o dinheiro...daí o discurso estranho da senhora! duh.

Seguímos caminho pela "secante" N125 onde o Gugas dormiu nova sesta acordando no centro de Lagos ("Légues", para os locais ;o). Ficámos a comer um cachorro e a ver a animação no centro, com actuações de palhaços, homens-estátua, peruanos, etc.. Quando faltava cerca de meia-hora para o comboio partir fomos para a estação atravessando o rio numa ponte pedonal. O Gugas dizia que a bicla parecia um barco.

Chegado à estação como eu a conhecia, esta estava toda abandonada e destruída!! Que coisa...então onde é a nova estação de comboios? Era logo ao lado, mas o edifício era tão incaracterístico que não chamava a atenção visto de longe. É pena deixarem um edifício tão bonito e carregado de simbolismo ficar assim.

Comprei o bilhete do Regional até Faro. Perguntei onde podia pôr a bicla e lá começou a maior aventura da viagem:

A porta da carruagem de mercadorias estava à altura do meu peito, as escadas eram na vertical e a porta estreita como tudo. Uff. Lá retirei metade da tralha da bicla e carreguei-a a custo.


Lembrei-me das viagens de bicla quando míudo com o meu grupo de amigos, quando vímos um dia alguém a descarregar as nossas biclas agarrando-as pelos cabos dos travões!! inédito.

Sentámo-nos nos bancos mais próximos da bicla e ficámos a ajudar mais ciclistas que utilizam o comboio para fazer distâncias maiores. Viajámos até Portimão com um tatuador brasileiro que fazia aquela viagem várias vezes ao dia. Oferecemos-lhe alperces e fomos o caminho todo a ver revistas de tatuagens. O Gugas até escolheu umas e tudo ;o).

É impressionante a utilização da bicla no Algarve, mesmo sem condições como as de utilização do comboio (regional) para a transportar. É impressão minha ou há aqui uma falta de visão estratégica pela CP?? Acordem "senhuores"....se isto é assim sem condições imaginem como seria se as houvessem!!

Para irmos até Vila Real de Santo António como tinhamos planeado tinhamos de sair em Faro e mudar de comboio. Tinha ligado ao meu primo entretanto e tinhamos combinado irmos para casa dele. Nem pensar em entrar assim no comboio outra vez. Descarregámos em Faro, voltámos a montar tudo de novo e fomos a pedalar até Olhão.

Reparei que tinha partido um raio, provavelmente no trilho. A meio do caminho partiu-se outro e a bicla começou a andar toda bamba devido ao empeno da jante. Andei assim uns 2 ou 3 Kms até chegar a Olhão. Impressionante o número de gente a pedalar nas bermas da N125 entre Faro e Olhão. Perguntei se havia alguma loja de bicicletas e indicaram-me logo 3.

Parei na BICIESTOI na rotunda do cubo que recusou-se a fazer o trabalho. Aliás disse-me que não tinha mecânico.

- "Mas dizia reparação de bicicletas na montra"- indaguei.

-"Pois, mas a esta hora não tenho ninguém". O que é que 16h00 têm de especial para "ter" um mecânico na oficina??.

- "Se for preciso venho cá amanhã de manhã com a roda...afinal só preciso de 2 raios!!".

- "Ai..ao fim-de-semana também não tenho ninguém!"

- "FIM-DE-SEMANA?? Amanhã é Sexta-feira!".

Sai de lá de trás um senhor a defender a senhora do balcão a dizer que têm pouca gente e então só têm vendas e o mecânico só trata das biclas vendidas. Negócio é o que é, e ainda dizem que há crise. Mandaram-me para um senhor "que é jeitoso e é capaz de lhe safar".

Era uma loja de moto-serras e o senhor mal me viu enviou-me para um senhor perto dos TAXIS.

MAU MAU MARIA...isto ia bem! Já estava a pensar em comprar uns raios e mudar eu, afinal nem eram do lado da cassete. Prometi a mim mesmo que era o que faria se tivesse uma terceira "nega".

Quando chego ao terceiro mecânico o senhor olha para a minha bicla e entra em pânico a dizer "não, não, não". Que raio! (literalmente). Disse-lhe que EU tirava a roda e que a única coisa que ele tinha que fazer era mudar os raios e desempenar-me a jante. Lá aceitou, mas passou o tempo todo a dizer que não costumava fazer estes trabalhos...mas que raio...então que trabalhos costuma fazer??


Era uma loja antiga com fotos do senhor e outros a preto e branco com pasteleiras e outras biclas nas ruas de um Olhão de outrora. Ninguém empena rodas em Olhão?

Lá tirei a tralha toda da bicla e levei-a para dentro da loja, virei-a ao contrário e tirei a roda. O senhor não tinha chave para me tirar o disco!! (eu também não tinha, se quisesse mudar o raio sozinho). Um senhor que lá estava a conversar foi ao carro e saco um conjunto do LIDL com as ditas chaves. A partir daí foi trigo-limpo. Mudou os raios e desempenou à "unha".


Chegou um cliente para pedir para trocar uns pneus a umas rodas que trazia. Ainda me ofereci para fazer a troca para matar tempo mas o senhor não quis. No fim para pôr a roda na bicla tive que intervir, pois estava a ver que o homem me partia o disco!!

"CALMA HOMEM, que o disco tem de caber entre as pinças...". A segunda aventura do dia e a segunda maior da viagem..IRRA.

Quando vou a pagar o homem crava-me 7,5€...incha. NUNCA MAIS. Tenho que reforçar as rodas.

Para nos vingarmos fomos a um "boteco" que conheço no mercado de Olhão e atacámos uns caracóis, conquilhas e ameijoas..maravilha!







Fomos ter com os nossos primos onde passámos a noite e ficámos a conhecer a priminha mais nova da família! Ainda mais nova que a mana do Gugas, mas também Mariana.

Quem disse que o dia ia ser para bezerrar??

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 4)

Dia 4 (3 de Junho) (nenhuma foto deste post é minha, pois não sei porquê não tirei fotos neste dia, mas fartei-me de filmar...lá está)



Quando o Gugas acordou já tinha um Nestum quentinho preparado para o seu pequeno-almoço. Devorou-o com os olhos fixos no local de acampamento dos seus amiguinhos da noite anterior. Quando acabou pediu-me para ir ter com eles. Aproveitei para lavar a loiça e arrumar tudo.

O Gugas perdeu uma cena dos pardalitos mais atrevidos que conheci...até vieram quase à mão comer o resto do bolo da avó alice.

Fui ter com ele e já se procedia a uma jogatana da bola de todo o tamanho. A retirada do Gugas foi a custo, mas lá foi.

Uma descida até à ribeira de Odeceixe, travessia da ponte e um cartaz a dizer "Bem-vindo ao Algarve" esperava-nos do outro lado, estávamos na Costa Vicentina. A N120 neste ponto sobe tal qual a serra do Luso, curvas apertadas e muito inclinadas. Como já sabia o que me esperava entrei para a Vila de Odeceixe e fui ao longo da ribeira até à praia.



O mau-feitio matinal do Gugas revelou-se uma vez mais pelo que decidi parar na praia das Adegas para ver se acalmava. Não quis ir, pois não queria descer aquilo tudo.
Ok!!
Queria enviar o postal de Porto Covo que tínhamos escrito para as meninas que ficaram em casa.

Ok!!!!

Siga para o Rogil, que há lá uma padaria porreira. As explicações de como funcionam os correios preencheram as conversas até Maria Vinagre.


O Gustavo desmanchou-se a rir com o nome desta localidade e foi o resto do caminho a inventar nomes de terras: Rodrigo Azeite, Rafa Água, Ana Azeitona, Maria Zebra, António Gafanhoto...descambou.

No Rogil notámos na mudança da padaria simpática para a padaria Gourmet, uma autêntica extravaganza para aquela localidade. A qualidade parece manter-se mas Os preços insistem em lembrar-nos que estamos no "ALLgarve". Parámos na esplanada vidrada a comer algo e a conversar sobre o postal, enquanto muito "cámone" de auto-caravana e prancha de surf passáva. Fomos até a uma pequena mercearia "vende-tudo" para comprar uns selos. Um deles era auto-colante, mas o segundo foi colado com a bela da lambidela...com o Gustavo a estranhar todo o processo. Como o correio já tinha sido levantado decidimos colocá-lo em Aljezur.

Fizémos outra surfada de bicla na descida até esta sede de Concelho, onde parámos no Turismo para perguntar onde eram os Correios. Depois de colocar o postal no correio nacional decidimos alomoçarmos ali mesmo num jardim com muita sombra logo após a ponte. Fizémos uma salada com tomate, milho, cogumelos, maçã e uma salada de frutas pois o calor apertava. Comemos um gelado e até estranhava a camisola do Gustavo ainda estar limpa! (Tinha lavado todas as t-shirts dele no último parque!).



Ainda tentei esticar-me no banco para dormir uma sesta, coisa que adoro fazer, mas quem tira as pilhas a um míudo de 4 anos?? Depois de explorar todo o jardim e brincarmos ao "Ben 10", à apanhada, às escondidas, às pitons e aos polvos seguimos caminho. Aqui é que ele me prega a rasteira e PIMBA, adormece na cadeirinha reclinada dormindo a sua bela sesta de meia-hora. Neste trecho do percurso o vento fez-se notar com maior força. Vinha da costa e se aqui era forte, na praia deveria ser pujante. O Gugas acordou numa descida para a Bordeira, mesmo a tempo de surfar de braços abertos e como, abrigados do vento estava uma calorão parámos no centro da Carrapateira (a terra do Gormiti que lhe tinha saído no cabo sardão que se chamava algo parecido com carrapatix, e que entretanto já se tinha perdido).

Tinha umas referências do Canhão para dar um toque a alguém que estivesse no restaurante Mazagão ou aos alemães que alugam umas casas à entrada da Carrapateira, pois aqui não conheço nenhum parque de campismo, mas como o vento estalava forte, decidi ir até um parque na costa sul, mais protegida e ficar a bezerrar no dia seguinte.

Aproveitámos para nos refrescarmos com uma coca-cola. Quando o Gugas levanta os braços vejo uma mega-nódoa de chocolate mesmo no sovaquinho! AH! Assim é mais normal. Afinal o gelado em Aljezur tinha derretido na mesa e ele tinha-se deitado em cima!! O dono do café meteu conversa connosco por causa da Xtracycle e visitámos uma loja de artesanato. O Gugas fartou-se de brincar com animais feitos de pano. Ainda démos um salto à praia, mas estava desagradável e fomos fazer a subida à Vila do Bispo.



O Gugas cravou-me uma história e não é que inventei uma alta história durante a subida toda? Reunia o Carteiro Paulo com biclas e tal, o Gugas estava de tal modo preso à história que me pedia para fazer "pause" quando um carro passava para não perder pitada. Foi engraçado.

Parámos no parque eólico no fim da subida (a maior do percurso) e por fim estávamos a descer até Vila do Bispo sempre acompanhados de alto vento lateral.

Na dúvida entre os parques de Sagres, da Ingrina ou da Salema fomos em direcção deste último. Não sei se foi boa ideia pois do parque à Praia o acesso é bastante inclinado, mas já estava, já estava.

Montámos campo rápido e fomos para a praia da Salema. Foi uma autêntica aventura National Geographic style: corremos atrás das gaivotas, criámos uma cidade de pedras e areia, vimos Caranguejos-ermita e até estrelas do mar. Voltámos quase de noite ao parque onde tomámos banho com uma ficha para termos àgua quente!

Andava a prometer uma surpresa ao Gugas por termos chegado ao Algarve e ele já estava impaciente....fomos jantar PIZZA E COCA-COLA no restaurante do parque!! Ele ficou radiante, mas com a sala de jogos que havia ao lado do restaurante.

A menina do restaurante engraçou também com ele, mas como não falava bem Português (era Holandesa) o Gugas não deu troco. Aliás, o Gugas andava lixadíssimo pois não percebia nada o que a malta dizia! Tinhamos um casal Inglês numa tenda em frente e não perceber nada frustrava-o de tal maneira que se recusava a dizer algo. Coitado.Depois da pança cheia e de termos jogado a tudo o que havia para jogar (até bilhar com um senhor que lá estava), fomos "desmoer" a pizza e ver estrelas deitados na tenda (que era oficialmente uma tenda de Pitons!).

Adormeceu a apontar para o céu. Derreadíssimo.

quarta-feira, 24 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 3)


Dia 3 (2 Junho)

O dia de ontem foi estafante, com tanta praia e correria, mas isso não nos impediu de acordar cedo. Tomámos o pequeno-almoço, carregamos a Timberlina e fizémos uma corrida até à recepção.



Ganharia o Gugas que foi a correr pois fez lá uns atalhos pelos alvéolos da malta toda, mas viu o parque infantil e...é impressionante como a mente de uma criança muda de rumo e interesse ehehe.

Depois de pagar as 2 noites (como ficámos apenas uma noite já na época alta tivémos que pagar 2!!) seguimos em direcção à terra das 3 mentiras: Vila Nova de Milfontes (não é Vila, nem Nova nem tem assim tanta fonte!).

O tempo estava cinzento. Tivémos mesmo de vestir uma sweat. Parámos num café para fazermos o costumeiro "refueling" do meio da manhã. Tentei fazer um registo vídeo mas as poucas horas de sono já afectavam o Gugas que estava com uma alta birra.

Enquanto esperava pelo café ajustei o meu novo guiador de touring, o DUMBO da Modolo. Muito porreiro: em segundos fiquei com os punhos mais altos e próximos o que me permite pedalar mais direito, enquanto fiquei com um suporte mais plano para o mapa o que se traduziu numa melhor leitura do mesmo, 5 estrelas.


Tive que ter uma conversa séria com o Gugas e pô-lo na cadeirinha para ele pensar na birra que estava a fazer. Remédio santo: adormeceu mal passámos a ponte sobre o rio Mira, e assim foi até Cavaleiro, a última localidade antes do Cabo Sardão.

O caminho até aqui foi simpático, pois desviei-me da Nacional e fui por estradas secundárias, com pior piso, mas sem trânsito e muito mais silêncio e "cheiros". É uma das coisas que mais aprecio e me marca nas viagens, que é a percepção olfactiva. Lembro-me das viagens em todo-o-terreno que tenho feito em que o cheiro do Anis, do Poejo, do Feno, etc. marcavam o caminho. Por aqui o cheiro era intenso e a "relva". Uma empresa de venda de relva em rolo tem aqui as suas plantações: grandes planícies verdes que exalavam um cheiro fresco muito agradável.

Estava a matutar sobre o percurso que iria efectuar, o local onde iríamos almoçar, a praia que íriamos visitar quando oiço o Gugas a perguntar-me o que é que o Falcão que nos sobrevoava andava à procura!

- "Olha quem cá está" - exclamei. Encetámos uma conversa sobre o falcão e as suas presas e toda a cadeia alimentar associada, até que perguntei ao Gustavo se já estava com vontade de almoçar.

- "Já tenho alguma fominha" - respondeu-me.

Não era tarde nem cedo, estávamos em Cavaleiro, mesmo em frente a uma pequena mercearia e fomos lá comprar algo fresco para beber e acompanhar as sandochas que tínhamos feitas. O Gugas lá me cravou um ovo de chocolate com "Gormitis" e seguimos para o Cabo Sardão para montarmos picnic.

Fizémo-lo mesmo perto da falésia e em cima da Xtracycle. Épico. O Snap-deck serviu de mesa para as sandochas, as batatas, a coca-cola e o ovo do Gormiti. Um saco a servir de recipiente para o lixo preso na traseira da bicla e cadeira de campismo montada: querem melhor??


O Gugas ficou impressionado com a falésia e diz que uma rocha lá no fundo parecia mesmo um dinossauro a tomar banho. Nenhuma foto que tirei do cabo sardão consegue fazer jus à imponência do sítio por isso saquei esta da net.



Aqui o calor apertava e decidimos seguir caminho. A dúvida era se seguíamos em direcção à Zambujeira do mar ou se seguíamos até Odeceixe. A Zambujeira era já ali...então seguímos para Odeceixe.

Pedalei até quase S. Teotónio onde apanhei uma bela subida o que se traduziu numa EXCELENTE descida até S. Miguel. O Gugas reclamava quando andava devagar e por isso não gostava de descidas (o LORD!), mas nas descidas curtia à brava, aliás eu tinha que o refrear pois ele abria os braços, berrava IUUUPII e punha-se a balançar na cadeira pois queria fazer "SURF DE BIXUCLETA".

Eu até dizia-vos a velocidade a que íamos...se tivesse conta-Kms.

O parque de S. Miguel era um bom local de pernoita pois acabamos o dia ainda no Alentejo, a ribeira de Odeceixe que está a 1Km a descer faz fronteira com o Algarve, onde entraremos amanhã logo de manhã!

O Gugas reconheceu o parque mal lá chegámos e ficou radiante com a possibilidade de irmos para a piscina (também não me estava a apetecer ir a pedalar até à praia de Odeceixe e voltar àquela hora). As meninas da recepção engraçaram bastante com o Gugas e este deu-lhes troco (a antítese da birra matinal...o João Pestana é lixado). Lá lhes cravou uma pulseira verde que ainda a mantém (está quase branca).



Montámos campo e fomos para a piscina. Fez lá uns amigos alentejanitos com quem se fartou de brincar (nas escadinhas pois tem bastante respeito à água).



Tomámos um banhinho, fizémos o jantar e enquanto fui lavar a loiça o Gugas estava a espreitar uns meninos que jogavam à bola no outro extremo do parque. Perguntou-me se podia ir brincar com esses meninos - "Claro que podes, mas olha que se calhar eles não falam Português" - repliquei, pois tinham aspecto de estrangeiros. O Gugas não se importou e foi brincar com eles. Esqueci-me de dizer, mas quando chegámos a Melides na primeira noite o Gugas perguntou se as pessoas dali falavam a nossa língua! eheh. O Gugas já viajou para bastantes sítios, mas provavelmente de bicicleta tem uma percepção diferente da deslocação e lhe dê uma sensação de maior distância percorrida! Lá estava ele todo contente a brincar com os meninos numa algazarra de todo o tamanho. A capacidade dos míudos comunicarem é brutal - pensava eu, mas não os putos eram filhos de uma Portuguesa e de um dinamarquês. Um casal muito simpático que viviam na Suíça e como tinham casa em Portugal vinham fazer férias neste parque todos os anos. Tinham uns kayaks e exploravam a barragem de Santa Clara e a ribeira de Odeceixe com os filhos. Tinham-nos visto a descer para o parque em modo "surfing" e como sabemos a conversa é como as cerejas. É das pessoas com mais informação na net sobre a eco-via do Sotavento Algarvio. Ficou de me contactar no futuro para trocarmos mais ideias. Era "gajo" de pegar na bicla e nos filhos e toca a viajar!! eheh

A custo lá consegui levar o Gugas para a tenda e umas boas histórias depois estava a dormir.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (Dia 2)

Dia 2 (1 de Junho)



Acordámos cedinho e preparámos o pequeno-almoço. O Gugas comeu o nestum a ver a "ilha das cores" na TV - um pequeno luxo que iria abdicar nos dias seguintes. Aproveitei a calmia para carregar a bicla, desta vez com a "supervisão" de uma senhora idosa que habitava ao lado. Que confusão que aquilo lhe estava a fazer, só lhe dava para rir! eheheh



Fomos directos à praia seguindo o cheiro à maresia. Estava vazia, mas dois ciclistas veraneantes tinham acabado de chegar: não éramos os únicos...bebi um café e seguimos o caminho.



Voltámos a "pegar" a nacional até à Vila Nova de Sto André, entrando no Parque Natural da Lagoa de Sto André. Na vila parámos num mini-mercado e comprámos mantimentos para o dia. Seguimos caminho pela via rápida que vai directo a Sines. Evitámos esta localidade e fomos directos à central eléctrica de S. Torpes.

Entrávamos no Parque Natural do Sudoeste Alentejano. Parámos na primeira praia, pois a promessa da celebração do dia da criança tinha deixado o Gugas em pulgas. O vento era forte, o ideal para a prenda que lhe ofereci: um papagaio. Lançámos o papagaio aproveitando as condições excelentes. Brincámos na areia e almoçámos ali mesmo.




A vontade de seguir para o Gugas era nula, mas eu sabia que o que nos esperava era bem melhor por isso lá o consegui por na cadeirinha e seguimos em direcção a Porto Covo. Pelo caminho encontrámos avestruzes a conviver com gado bovino, o que interessou a mente do Gugas. Com a aproximação da bicicleta as aves corriam desalmadamente, assustadas provavelmente. Seguimos até a um dos parques de campismo da vila e montámos campo. Como a recepção estava fechada havia um casal de Holandeses com uma auto-caravana um pouco à nora! Como eu tinha vestida uma camisola da selecção laranja e provavelmente por estar de bicla perguntou-me em Holandês o que pareceu ser: "É holandês?". Disse-lhe que não mas que podiamos falar em Inglês. Lá lhe expliquei que a recepção estaria fechada até às 15h. Queria fazer o check-out e custava-lhe ter que esperar quase 2 horas para o fazer!!

Depois do campo montado seguimos para o centro da vila. Fomos comer um gelado, comprar àgua que se tinha acabado e fruta pois não gostámos da que vimos em VNSAndré. Daí para uma das praias na falésia foi um saltinho.



Passámos a tarde toda a banhos. O tempo estava espectacular e a àgua acompanhava.




Voltámos para campo a tempo de tomar um banho e fazer o jantar: Massa chinesa (é leve, e coze em 3 minutos) com cogumelos, queijo e fiambre, salada de milho e tomate e fruta. A fome era muita pois desapareceu tudo num instante. Fomos passear a seguir ao jantar ao centro da vila. Comemos uns waffers, eu fiquei a ler um pouco enquanto que o Gugas corria a brincar à apanhada com uns amiguinhos que fez na altura.

segunda-feira, 22 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão (dia 1)

Dia 1 - (31 Maio 2009)


Partimos com a bicicleta e a tralha toda na Pickup do meu sogro até Setúbal. A ideia era começar a viagem em Tróia: evitaríamos o stress da travessia do Tejo (torniquetes apertados) somado a um percurso muito batido e juntávamos um almoço de choco frito com a família para a despedida.
Chegados a Setúbal, descarreguei o material e carreguei-o na bicla. Descobri que tinha testado a cadeira do puto (que era emprestada) com alguma coisa mal montada. Desmontei e tudo e voltei a montar: estava bem melhor, já reclinava bem e não andava tanto aos saltos (que eu pensava que era normal da cadeira!!).

Montei os wide-loaders que me permitiram ter uma base mais estável para as malas, coloquei todo o material e fui dar a voltinha de teste. Estava porreira, com o peso bem repartido e a cadeira bem montada...espectáculo.



Levava do lado direito uma mala com a roupa, toalhas e chinelos dos 2, mais a tenda (optei pela tenda 2 seconds da decathlon), do lado direito a outra mala com os matelás e os sacos-cama, o material de cozinha e gadgets, uma cadeira dobrável e uma garrafa de 1,5 l de H2O. No Snap-deck ia um saco térmico com a comida para alguns jantares e para alguns pequenos-almoços.




Fomos comer o choco-frito, brindámos aos aventureiros e dirigimo-nos ao barco. Pagámos o bilhete e fomos arrumar a bicla a um canto. A família surpreendeu-nos e foi também connosco no barco: Afinal a avó Alice ainda não conhecia Tróia.




O cais de largada de passageiros na restinga estava "inundado" de pessoal. Eram carros por todos os lados, ilegalmente estacionados nos passeios o que obrigava a que ordas de veraneantes devidamenteequipados para passarem o dia inteiro no areal tivessem que circular na estrada que por si já é estreita. Foi uma aventura fazer os primeiros 300 metros da aventura! Passada essa distância há um terminal de autocarros que leva toda a gente gratuitamente parao centro de Tróia, o que me faz pensar o que fariam ali aqueles carros estacionados???



Mais despedidas, desta vez no terminal das camionetas e entrámos na estrada que acompanha a língua de areia que é Tróia. Seguimos para sul e apanhámos um tráfego típico de domingo solarengo. Passados pouco mais de 4 Kms tivémos de para pois a posição da cadeiraagora bem montada não era a ideal...os nossos pés chocavam ao pedalar. Numa berma mais larga alterámos a configuração da dita e estávamos prontos a continuar. Ao arrancar dei um encontrão sem querer ao conta-kilometros que saltou do sítio e foi ter ao meio da estrada.Um carro que passava na altura fez o favor de o esmagar, estragando as estatísticas de velocidade e distâncias deste relato ehehe.

Seguímos para a frente que atrás vem gente e parámos na Comporta a admirar as cegonhas. O Gugas adora animais e questionava-me sobre tudo: as cegonhas, os ninhos, os barulhos que faziam com os bicos e em especial as cobras mortas que jaziam no asfalto: "Coitadinhas das cobras, elas são apenas reptéis!" - Dizia-me, ao mesmotempo que dizia que os carros esmagavam tudo: "os repteis, os conta-kilometros"...que malandros ;o).

Desviámos para Pinheiro da Cruz, onde fomos ultrapassados por uma coluna de militares que, seguramente, estariam a fazer exercícios na zona. No meio de jogos verbais que faziamos e das milhentas perguntas de quando é que chegávamos ao acampamento, o Gugas diz-me que quando chegasse ia logo fazer xixi pois estava aflito!!! - "Na, na, fazes já, que ainda falta algum tempo!"- "Ai, ai que estou aflitinho."- "Aguenta filho, faz força".- "ups.."- "ups??"
O Gugas encharcou os calções todos. Desmanchámo-nos a rir! Ao menos não o fez na cadeirinha! Despiu-se e mudámos de roupa e "ala que se faz tarde".

Passámos o desvio para o camping da Galé, mas como era cedo e tinhamos partido tão tarde pensei em adiantar um pouco o caminho e acampar mais à frente. Já mesmo a chegar a Melides encontrámos um chibo preso por uma pata a tentar desesperadamente comer as folhas de uma figueira. É obvio que corremos ao seu auxílio. Foi um momento excelente com o Gugas a chamá-lo inocentemente de "Cabra grande acabado em ão" enquanto lhe dava as folhas da Figueira. A meio, o chibo ainda ameaçou uma bela marrada, mas foi só "garganta".

Isto fez-nos atrasar um pouco e uma neblina forte fez-me desviar para a praia de Melides. O segurança do Camping não nos deixou montar a tenda pois não tinhamos um cartão que nos atríbuia a condição de "campista"!! :oP

Ainda fomos ver se haviam alguns caravanistas perto da praia para montarmos tenda perto deles, mas não. Com tanta oferta de quartos para arrendar, ficámos numa casita simpática de um casal de velhotes igualmente simpáticos. Para delírio do Gugas o senhor tinha muitos animais, dos quais uma gata que tinha parido há algumas horas 3 gatinhos bébés.

Ainda fomos apanhar uma galinha a simular que era para o jantar...haviam de ver a cara do Gugas quando a apanhámos de facto!! NEM PENSAR...solta já a galinha! ehehehA custo levei-o para dentro do quarto onde tomámos um merecido banho e fomos cozinhar o jantar: Massa com atum e salada de tomate. De sobremesa comemos bolo da avó Alice e decidimos ir à "chinchada". Fomos ao quintal dos senhores apanhar umas laranjas espectulares, sumarentas e docinhas. Na cabecinha do Gugas havia um alto conflito: a brincadeira é gira e apetece-me uma laranja...mas "porque é que estamos a tirar isto na surrapa??" eheh Agora perguntem-lhe lá quais as laranjas mais apetitosas?? São as da chinchada!

Fomos passear depois de jantar. Encontrámos um baloiço preso a uma àrvore...melhor que a playstation! Ainda fomos beber uma bica ao café do parque onde fizémos o "registo" escrito e vídeo do primeiro dia.Voltámos para a casita, xixi e cama.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Touring: Setúbal - Olhão com o Gugas

Mais uma viagem feita de Timberlina. Desta vez fiz a costa Alentejana e Vicentina, percurso já sobejamente conhecido quer de veículo motorizado quer de bicicleta, mas com um cheirinho extra de desafio: levei o Gugas com 4 anos e meio comigo.
Foi uma semanita de férias em total autonomia que correu muito bem.
O relato está para vir, mas podem já ficar com o percurso:



Visualizar Touring: Setúbal - Olhão com Gugas em um mapa maior

terça-feira, 7 de abril de 2009

L-a-V -> Santarém -> Alviela -> Entroncamento


Fui dar uma volta ligeira com a Xtra. Fui com mais 6 amigos até Santarém onde passámos a noite e depois percorremos vários percursos fora de estrada até à nascente do Alviela. Depois segui sozinho até ao Entroncamento enquanto o resto subiu o "Minde Epic" até Fátima.

Como foi um percurso "altamente gastronómico" e ficámos em pensão não deu para testar a xtra em "full autonomy", mas a X fez toda o percurso na boa, tendo apenas a apontar o extremo ressalto que a corrente (pelo tamanho que tem) fazia em TT. De resto portou-se às mil maravilhas e se tivéssemos carregados desconfio de que a X dava "bigodes" às restantes....



Ainda deu para agarrar uma máquina ao snapdeck e filmar "às arrecuas"...quando tiverem publicadas mais fotos e filmes eu mostro o link!

Entretanto fiquem com estas:




Um sofá em pleno campo??

Como arrumar uma X no átrio esconço de uma pensão??

Em pé claro!



E utilizo as próprias cintas para a prender no comboio!

Caminhos do Tejo 2ª edição



quarta-feira, 26 de novembro de 2008

terça-feira, 2 de setembro de 2008

De Lisboa a Tomar pelo caminho do Tejo...Ginga. Percurso


Houve actividade no fim-de-semana....


237 Kms de puro "touring"



Relato:


Caminho do Tejo - dia 1



O despertador tocou cedo. Calei-o e virei-me. Acabei por acordar bem mais tarde do que planeei. Saí de casa às 7h30, com a bicicleta carregada em direcção à casa do IVO para ir buscar emprestada uma bolsa para o guiador.Lá estava o Ivo a dormir perto da janela e lá fui eu acordá-lo. Desgraçado! Emprestou-me a dita bolsa que eu prendi na altura ao guiador. Despedi-me dele e fiz-me à estrada às 8h15m.Lá ia em direcção a Algés para fazer o caminho que faço diariamente até ao Cais do Sodré e depois subir até à EXPO.

Que seca, sempre o mesmo caminho pensei. Pera lá...estou de viagem, estou livre, vou fazer outro caminho. Ainda não tinha começado a descer, e foi então que virei a agulha e fiz-me em direcção a Carnaxide, Portela de Carnaxide, Alfragide, Parque de Campismo, ciclovia da radial de Benfica. Aqui ao ver a carrada de carrosque circulavam na 2ª circular deu-me um arrepio na espinha por pensar que estava completamente fora daquele reboliço. Não tinha horários, destino certo, estava mesmo livre!

Daqui segui até à Serafina, Torres Gémeas, Mesquita de Lisboa, Praça de Espanha, Av. de Berna, Av. da Republica, Av. da Igreja. Esta parte de Lisboa sempre me atraíu. Passei por trânsito, poluição, confusão e naquele bairro conseguimos estar mais calmos, envoltos no silêncio possível, ainda dá para ouvir uns passarinhos,mas os inevitáveis carros estacionados estão lá! Passei pelo mercado e a vista para uma esplanada deu-me vontade de contemplar aquele oásis urbano, mas o resto da minha mente estava no caminho do Tejo e decidi adiar aquele desejo. Continuei a jornada e peguei a Av. do Brasil até ao relógio e daí em direcção à (antiga) Batista Russo.Na primeira rotunda, uma senhora vem disparada do centro da rotunda e sem calcular muito bem o meu andamento, passa-me uma razia que, se não travo a fundo levava-me de boleia no capot até ao seu destino. Foi outro arrepio na espinha, mas este acompanhado por suores frios! Segui quase sem pedalar até ao extremo sul da àrea de intervenção da EXPO. Segui pelo interior da mesma até à Pala do antigo pavilhão de Portugal. Aqui supostamente começa o caminho do Tejo, parte integrante dos caminhos peregrinos até Fátima e Santiago de Compostela.



Fui sempre pela costa até à Foz do Trancão onde encontrei o primeiro marco do caminho. Daqui segui ao longo da margem direita do rio até à ponte que o atravessa em direcção à Bobadela. Ao sair da ponte reparo que o caminho sai da estrada.



Fiquei contente, pois não me estava a apetecer subir pela Bobadela acima. O caminho passa por um parque de estacionamento, um estradão em tout-venant e depois trilho.Passei por baixo do viaduto da A1 e fui tranquilamente seguindo o leito do Trancão passando por pequenas explorações agrícolas e trilhos de BTT bem porreiros. Cruzei-me com uns quantos BTTistas que se divertiam e me desejavam boa viagem. O caminho foi sempre assim até uma pequena povoação já perto de Vialonga. Aqui não vi nenhum marco com azulejos ou as setas amarelas que marcam o caminho e decidi ir em direcção à estrada. Aqui segui para norte e no primeiro semáforo partiu-se um raio! Um já se tinha partido faz 2 dias e este era exactamente do lado oposto. Fui até Alverca com a roda toda empenada e pelo caminho errado. Devia ter virado para a Póvoa de Santa Iria e daí até Alverca, acabei por passar pela Sagres, pela entrada para a AE e por um viaduto até à EN10 e Alverca. Sem crise.

Parei na "Moto-avenida de Alverca", após conselhos de locais. Uma loja simpática onde viciados e simpatizantes da bicicleta se reuniam em amena cavaqueira com o sr.....(raisparta a minha memória para nomes) que ia fazendo uma revisão a uma "magrela". Disse-lhe que estava de viagem (é um estado de espírito) e que precisava que me safasse. Disse que não vinha na melhor altura, mas que safava sempre quem estava de viagem! 5 estrelas. A conversa "embicou" nesse sentido e fiquei a saber que um Alverquense tinha acabado de chegar do "Cape Epic" e a sua t-shirt estava lá estampada. Pediu-me 1€ pela reparação, ao qual lhe respondi com 2€, sendo que tinha que ser usado num café a pelo menos 100kms dali e num passeio de bicla ;o).


Logo ao lado estavam 2 velhotes a depenar uns pombos, "para o petisco", e a seguir bebi um cafézinho numa pastelaria simpática. Aquela rua de Alverca ficou no meu coração.

Segui caminho que se fazia tarde. Fui na N10 até Vila Franca de Xira. A proibição da passagem de camiões nesta cidade é uma maravilha, pois naquela estrada apertada e ladeada de instalações fabris, não são os nossos melhores amigos. Tirei uma foto à frente da Taurina, numa montagem onde o toureiro de bronze faz a lide à minha GT Timberline, a "Timberlina" ou "Lina" para os amigos. eheh

Ia seguindo as setas e sentia-me perseguido pela moça da Coca-cola que, de bikini e num cenário idílico, propunha beber esse refrigerante com gelo e limão! Consumir hasta morrir e é bem verdade. Na minha cabeça a sensação de beber uma coca-cola com limão ia ganhando forma.

Cruzei-me com outro ciclista a viajar que seguia de tronco nu e sem capacete. Acenou-me, continuando a sua cadência rápida em direcção a Lisboa, ao qual respondi. Ia-me fazendo perder um marco que perto de um Lidl nos aponta em direcção ao rio e a uma estrada secundária ao longo do caminho de ferro.

Ia num ritmo agradável. Apanhei um empedrado e virei numa ponte sobre um pequeno ribeiro poluído com a central eléctrica do Carregado à vista. Aqui já se viam campos agrícolas e montes de tomates nas bermas. Passei por uma fábrica de concentrado de tomate e o número de camiões e tractores carregados era brutal. Estavam à espera para poderem entrar e descarregar.Parei perto de um e perguntei se me podia ver uns quantos, na esperança que mos desse. Respondeu que os tomates eram para a fábrica. Ora toma. Devia estar mal disposto, mas eu não e nem liguei.

Passei pela Opel da Azambuja desmantelada que tinha visto na TV e numa rotuna virei à direita em direcção à REAL VALA. Entrei na Lezíria Ribatejana e bem se notava. O fluxo de trânsito diminuiu drasticamente e o cheiro no ar já estimulava o olfacto.Tirei uma foto em cima da ponte que cruza a real vala e deu-me para ver lá em baixo, na berma um dos marcos. Olha...vai por fora de estrada! nice! Pouco depois da ponte virei num estradão e segui as setas. Se não tivesse parado para a foto era capaz de não ver este caminho! Nos relatos que li na net não falavam nisto! Porreiro.

Fui sempre pelo meio de tomatais, milheirais, apanhei uma molha de um aspersor e passei por uma zona inundada, onde os pára-lamas fizeram o seu serviço. Fui à chinchada do tomate (ORA TOMA), e reparei que a recolha do tomate feita industrialmente arranca os pés do tomateiro sem dó nem piedade, é sempre a abrir!



Já havia muita mosca chata e uns agricultores simpáticos que quase viravam o tractor ou pickup para nos deixar passar! Fui sempre com um sorriso na face até à Valada. Pelo caminho encontrei 3 bicicletas carregadas e paradas num café! Não parei. Estranho, mas algo me impelia para a Valada, para uma banhoca no rio e não dava para parar. Lá dei à campaínha e acenei. Hei-de apanhá-los pelo caminho, pensei.

Chegado à Valada já se tinha levantado um vento desagradável e ficou muito nublado! Procurei un sítio porreiro para tomar banho. O número de moscas era insuportável, o vento roçava o irritante e as nuvens tiravam a "pica" do banho. Bolas, eram 14h00m e tinha feito 100Kms, vou ao menos beber uma coca-cola com limão em resposta ao estímulo da modelo dos outdoors. Comi uma sopa e uma talhada de melão, bebi uma coca-cola E NÃO HAVIA LIMÃO! Raios, assim a coca-cola não me soube bem. Mas soube o resto e a "jibóia" estava a subir. UI, uma sesta agora sabia mesmo bem. A mim e ao senhor "bigodudo" que estava na outra mesa que estava a marcar uma carrada de golos de cabeça ahah.

Fui para o recinto da praia fluvial para me esticar. Não consegui, as moscas estavam moles e chatas. Continuei caminho devagar, devagarinho. Cruzei-me com 4 miudos de bicla que me perguntavam se eu queria trocar de bicla. "Pelas quatro?" - perguntei. "As 4? e ficávamos apeados??" - responderam. ahaha.


Siga que estava a rolar confortável. Parei num campo cheio de fardos de palha com Santarém ao fundo. Deitei-me num fardo e estava confortável. Aqui havia menosmoscas e as que haviam eram mais toleráveis que as da Valada. Ainda arrochei uma boa meia-hora até aparecer um tractor de...adivinham? Sim, de recolha de fardos de palha.


Nos tais relatos do caminho que lera na net sabia que o caminho em Santarém estava mal marcado ou era mesmo ausente, e que não era fácil segui-lo perguntando aos locais. Comecei a subir para a cidade depois de uma passagem inferior em Omnias, quando surpresa das surpresas encontro uma seta amarela!Uma alma caridosa encarregou-se de marcar o caminho para eliminar esta grande lacuna! Fui seguindo as setas e às tantas parecia que estava a fazer um percurso turístico pela cidade e ia em direcção às portas do sol. Tinha feito aquele percurso na passagem do ano, o que me dava uma sensação de déjà vu brutal. Comecei a duvidar do real objectivo das setas e já pensava no exemplo do camiño de Santiago onde váriaslocalidades se "pelean" para que o camiño percorra as suas ruas. Ao chegar às portas das portas do sol, as setas levam-me até a um arco gótico onde uma tabuleta indicava de que estava na porta de santiago e que o que se seguia era o caminho medieval de Santiago e Salinas! Olha...peguei um caminho antigo para Compostela, será?




Sei que o caminho começou a descer abruptamente enquanto se entrava numa mata. O caminho eradigno de uma prova de downhill de BTT e estava a ser limpo por funcionários da Câmara. Fui ter quase ao mesmo sítio de onde tinha entrado em Santarém. Estava perto da "praia de Santarém". Continuei a seguir as setas e voltei-me a perder delas e estava de novo a entrar em Santarém. Ui.


Voltei a subir e fui andando até pegar uma estrada que foi dar à fábrica de cerveja do Sousa Cintra, após ter perguntado a um bombeiro se estava nos caminhos de Fátima. Fui dar a uma rotunda. No mapa podia optar pela N3 ou por outra bem mais pequena e cénica. Optei por esta última até porque no mapa dos caminhos de Fátima que eu tinha haviam 2 paralelos, um pela N3 e outro pelas aldeinhas e uma delas situava-se no meio das duas estradas. Ainda liguei ao Ivo para confirmar isto e acabei por seguir. Em Amiais de baixo, confirmaram-me que era por ali o caminho e lá encontrei um marco.


A partir daqui o caminho é extremamente agradável, por estradões, casas isoladas e algumas aldeias. O sol estava quase a descer e tinha que procurar lugar para dormir. Após conversa com um taberneiro fiz 2 Kms para trás numa estrada de alcatrão para tentar encontrar uma igreja. Ao estranhar não encontrar a igreja perguntei a uns senhores que estavam a vender melão pela terra indicada. Foi-me dito que não existia!! Contei-lhes que estava a fazer o caminho e que queria encontrar um lugar para dormir. Apontaram-me um clube de tiro que alugava quartos. "Alugar quarto? Para mim basta um cantinho para montar a tenda" - respondi. "Ai é? então fica já aqui". O sr. António de D. Fernando foi um porreiraço. Deixou-me montar a tenda atrás de umas paletes de melão para me proteger do vento. Ajudei-o a carregar umas quantas paletes de melão num camião e depois fui montar a tenda e fazer o jantar. Ofereceu-me melão equeijo fresco da vizinha. Pôs-me à vontade para usar a àgua de uma fonte comunitária que até tinha as contas da àgua escrita a lápis num papel lá colado. 5 estrelas.


Pouco depois chega o meu cunhado de carro com a minha cunhada e sobrinho. Tirámos a bicla do tecto e montámos os alforges. Despedímo-nos da malta e o Tó foi montar a tenda e fazer o seu jantar. Á noite fomos visitar D. Fernado, beber um cafézinho e uma ginja e ver uma competição de chinquilho.Isto rodeado de uma paisagem brutal de luzes imensas e uma esfera celeste simplesmente espectacular! Tinha feito 140Kms, estava cansado, mas altamente satisfeito. Toca a dormir que amanhã há mais.